12 Maio 2017
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Dedicada ao esporte praticado em mais de 120 países, a Copa do Mundo de Rúgbi acontece a cada quatro anos e só fica atrás da Copa do Mundo de Futebol e dos Jogos Olímpicos em termos de magnitude. Apesar de todo esse tamanho, no Brasil são poucos os jogadores que, de forma amadora ou profissional, se dedicam à modalidade que descende do mesmo ramo do futebol e deve seu nome à cidadezinha inglesa onde teve origem, no século XIX. Na atualidade, uma parceria entre uma das ligas de rúgbi mais importantes do mundo – a Premiership Rugby – e o Conselho Britânico criou o programa Try Rugby, pelo qual técnicos vêm ao Brasil ensinar como se joga com a bola oval. Presente no estado do Rio de Janeiro desde 2015, na cidade do Rio está sendo realizado na E.M. Rubem Berta (8ª CRE).

A professora Regina com um grupo de alunos de alunos da E.M. Rubem Berta (8ª CRE) (Fonte: Arquivo pessoal).

Professora de Educação Física na escola de Bangu desde 1991, Regina Lúcia Ribeiro da Silva é quem faz a ponte entre o projeto e as crianças. A oportunidade surgiu quando foi convidada pela diretora da unidade escolar, Célia Antonioli, para participar de uma reunião organizada pela 8ª CRE na qual Amanda Lima, coordenadora de desenvolvimento esportivo do Conselho Britânico, apresentou o Try Rugby. Moradora de Volta Redonda, Regina já conhecia o programa que funciona na cidade de Resende. “Minha primeira impressão foi ótima! Aqui na escola, temos o objetivo de oferecer o máximo possível para as crianças se desenvolverem e evitar que se envolvam com a criminalidade do entorno. Mantive contato com a Amanda por e-mail e, quando iniciou o ano letivo, o trabalho começou. O David, técnico que dá as aulas para a gente, é muito carismático e delicado com todo mundo e até vem para a escola de trem, para entrar no mundo dos alunos mesmo. Eu já dava aula de rúgbi desde 2014 porque minha escola participou do Transforma, programa que ofereceu cursos de formação em modalidades olímpicas e paraolímpicas pouco conhecidas. Por isso fui chamada para a reunião.”

Amanda Lima aposta muito no sucesso do Try Rugby. “O Conselho Britânico acredita no esporte como uma ferramenta para o desenvolvimento social, a melhora de comportamento e o fortalecimento de caráter de crianças e jovens participantes do programa. O Try Rugby usa o esporte combinado com a educação, desenvolvendo atividades motivadas pelos valores básicos do rúgbi, que são: respeito, disciplina, paixão, solidariedade e integridade.” O técnico David Robert Holby também esbanja entusiasmo. “Este é meu segundo ano de Brasil”, conta. “Em 2016, comecei em Belo Horizonte, mas no início eu não tinha grandes expectativas porque sei que o Brasil é o país do futebol. No entanto, estou descobrindo o quanto as crianças são incríveis. Embora eu atue também em comunidades, percebo que, na escola, a estrutura possibilita atingir mais pessoas. Nesse momento, temos 250 alunos inscritos em Bangu, onde começamos as aulas às 7h da manhã”, explica o professor, que aos 26 anos já coleciona no currículo experiências de trabalho também na Austrália e nos Estados Unidos.

“O Conselho Britânico realiza um projeto único: a beleza de ser treinador está em ver que pessoas que nunca ouviram falar de um esporte começam a compartilhar seus valores. Como jogamos falando em inglês, as crianças também melhoram a fluência no idioma. Ano passado, levei um grupo de quinze crianças até Blumenau para um torneio e foi a primeira vez que elas voaram de avião. Aquele foi um dos melhores dias da minha vida. O rúgbi é muito inclusivo. Diferente de um time de futebol, que pode ter um craque de destaque e se sair bem, no rúgbi todo mundo tem que participar. O trabalho em grupo e a disciplina abrem a mente dos meninos e das meninas, que jogam juntos.” Existe igualmente a preocupação de preparar os professores de Educação Física para que eles continuem a divulgar o esporte.

O Try Rugby concentra esforços para ensinar os fundamentos da prática esportiva: como correr e como passar a bola rápido, por exemplo. De acordo com David, nos cursos de iniciação se ensina o tag rugby, no qual as crianças usam um cinto com velcro do qual pende uma bandeirinha de tecido. Quando ela é retirada do adversário, ele tem que passar a bola, o que evita qualquer lance violento.

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