01 Dezembro 2017
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Equipe no XII Encontro de Alunos do Peja (Foto: Arquivo pessoal)

Se, por um revés da vida, o processo de escolarização foi interrompido, isso não significa que um jovem ou adulto deva abrir mão de concluir os estudos – principalmente se o que ficou para trás foi o Ensino Fundamental. A Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro (SME-Rio) vem estruturando uma política educacional que tem como objetivo dar oportunidade a todos aqueles que estão com uma formação incompleta, o que inclui não apenas aulas regulares, mas também ensino semipresencial e até educação a distância (EaD). 

Atualmente existem 23.550 alunos e 903 professores, distribuídos em 130 escolas, além de duas escolas exclusivas para a Educação de Jovens e Adultos (EJA): o Centro de Referência de Educação de Jovens e Adultos (Creja), localizado na Rua da Conceição, 74, e o Centro de Educação de Jovens e Adultos da Maré (Ceja). O Programa de Educação de Jovens e Adultos da Rede Pública do Sistema Municipal de Ensino do Rio de Janeiro (Peja) tem o currículo estruturado com apenas uma disciplina por dia, durante as quatro horas de aula – tempo considerado necessário para implementar a proposta político-pedagógica e, também, para possibilitar uma recuperação paralela, necessária a um aprendizado mais efetivo, de acordo com o que foi determinado pelo Conselho Municipal de Educação.

A estrutura 

Juntos contra as injustiças: tema do encontro (Foto: Arquivo pessoal)

A grade curricular do Peja está estruturada em duas etapas – Peja I, referente à primeira fase do Ensino Fundamental (1º ao 5º ano), e Peja II, referente à segunda (6º ao 9º ano). Ambas estão organizadas em dois blocos de aprendizagem, com duração média de um ano cada, perfazendo um total de quatro anos para quem começa do zero. Ainda que o aluno apresente histórico de escolaridade anterior, todos os ingressantes devem passar por uma avaliação que indique a turma mais adequada. Exceção feita caso o aluno seja egresso da própria modalidade EJA em outro sistema ou do Peja. 

Para detalhar o funcionamento da Educação de Jovens e Adultos, o Portal MultiRio entrevistou a pedagoga Maria Luiza Lixa de Mendonça, da Gerência de Educação de Jovens e Adultos da SME.

Portal MultiRio – Nem todo mundo sabe disso, mas dá para frequentar o curso durante o dia, não é verdade?

Maria Luiza – Sim. No Peja noturno, o horário de funcionamento é das 18h às 22h. Já no Peja diurno, manhã ou tarde, poderá haver variação de horário, respeitando-se sempre as quatro horas diárias de aula. Contamos com 18 unidades escolares que oferecem o horário diurno. Alterações na carga horária só são admitidas em situações temporárias, comunicadas à Coordenadoria Regional de Educação (CRE).

PM – Para não ficarem cansativas as quatro horas seguidas de aula de uma mesma disciplina, como os professores estruturam as atividades?

ML – Os professores se utilizam de diferentes recursos ao longo da noite, como vídeos, seminários, debates, aulas interdisciplinares, trabalhos em grupo, além de saídas culturais com seus alunos.

PM – Como é incorporada ao currículo a experiência pessoal dos alunos?

ML – Os alunos da EJA trazem para as salas de aula experiências de vida, vivências profissionais, histórias escolares e aprendizagens levadas em conta na construção de uma proposta pedagógica que respeite as particularidades e necessidades desse público.

PM – Existe alguma diferença entre um aluno do Peja e os demais?

ML – Os alunos regularmente matriculados e que frequentam as aulas do Peja são ligados à Rede Pública do Sistema Municipal de Ensino e, como tal, têm todos os deveres e direitos que os demais pertencentes à Rede. Os alunos do Peja fazem jus ao uniforme oficial, material escolar, livros do Programa Nacional do Livro Didático EJA e uma refeição completa diariamente – almoço ou jantar, de acordo com o horário das aulas. Também podem utilizar o sistema eletrônico de passe livre, que garante gratuidade aos estudantes das redes públicas nos transportes coletivos. Além disso, têm direito a utilizar os diferentes espaços e equipamentos escolares, como laboratórios de informática, sala de leitura e outros.

PM – Como funciona o ensino semipresencial e a EaD?

ML – O semipresencial funciona no Creja e Ceja em seis turnos diários, cada um com duas horas de aulas presenciais e duas de atividades realizadas fora do horário da sala de aula. Essas atividades compõem a carga horária do aluno. Já a educação a distância está implementada no polo presencial do Creja, que disponibiliza laboratório de informática, sala de leitura e sala de EaD, contendo todo o material para acesso à internet, além de auditório para aulas interdisciplinares. É oferecida, diariamente, a tutoria pelos professores do Creja. Ao serem matriculados, os estudantes passam por entrevista e avaliação para identificação de seu grau de escolaridade. Logo após, eles têm um período de ambientação e recebem as orientações e o material, impresso e em CD. A plataforma permite a interação entre aluno e professores tutores, o que pode ser feito também de casa. Quando aparecem as dúvidas, basta ir até o polo presencial para receber o atendimento.

PM – Qual a diferença entre EJA e Peja?

ML – A EJA é uma modalidade da Educação Básica, que, no município do Rio de Janeiro, funciona no Programa de Educação de Jovens e Adultos (Peja) como uma política pública do Sistema Municipal de Ensino do Rio de Janeiro, na etapa do Ensino Fundamental – anos iniciais e finais.

PM – Vocês têm alguma estatística a respeito do perfil médio do aluno?

ML – A faixa de idade está concentrada entre 24 e 32 anos. No entanto, temos notado um aumento significativo da chegada de jovens com 15, 16 anos. É uma realidade que, hoje, está posta em várias redes de ensino, não só no Rio de Janeiro. A legislação permite que esses alunos cursem a EJA e, na nossa cidade, vemos que muitos deles, em defasagem idade/série, migram para a EJA para completar o Ensino Fundamental.

PM – Qual a melhor maneira de lidar com o problema da evasão?

ML – Como forma de evitar a evasão, as escolas procuram manter sempre um canal de diálogo sincero e respeitoso com os alunos, individualmente, e com as turmas, ajudando muito no diagnóstico e resolução de alguns problemas causadores de evasão. Além disso, é fundamental que a escola e as aulas façam sentido para a vida dos alunos e não sejam apenas mais um fardo acrescido aos tantos que já carregam. Esse é um grupo que chega com uma carga de conhecimentos e experiências de vida que torna ainda mais relevante a necessidade de que os conhecimentos sejam construídos a partir da problematização e reflexão sobre o que eles trazem em suas bagagens. Esse procedimento favorece o envolvimento dos alunos e a motivação intrínseca para os estudos, e esta é muito mais eficiente para o desenvolvimento da aprendizagem do que a motivação extrínseca. Após a conclusão do Ensino Fundamental, todos são orientados a realizar suas matrículas nas escolas de Ensino Médio do Estado – regular ou EJA. Também podem optar por participar da seleção de ingresso no Ensino Médio articulado com a formação profissional, que é oferecida por intermédio do Programa Nacional de Integração da Educação Profissional com a Educação Básica na Modalidade de Educação de Jovens e Adultos (Proeja), no Colégio Pedro II e no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (IFRJ), antigo Cefet.

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