07 Maio 2018
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Desde o início do rádio no Brasil, na década de 1930, já havia muitos programas voltados para o público infantil. Alguns deles contaram com a participação de escritores renomados, falando diretamente para as crianças. Na Hora infantil, da Rádio Sociedade Record, de São Paulo, compareceram Monteiro Lobato e Orígenes Lessa, que leram trechos de suas obras. Em Porto Alegre, Érico Veríssimo comandou o Clube dos três porquinhos, na Rádio Farroupilha, contando histórias de improviso. O Amigo Velho, alcunha que usava no programa, teve grande sucesso na empreitada, mas o autor decidiu encerrá-la por causa da censura do Estado Novo, que exigia ler os roteiros com antecedência.

Na segunda metade do século XX, os programas voltados para o público infantil migraram para as rádios educativas, como a MEC e a Rádio Cultura (exemplos: João e Maria, O maestro e a música, Quem conta um conto, etc.). Nos anos 2000, Zé Zuca esteve por uma década à frente da Rádio maluca. Cantor, compositor e ator, ele fez sucesso na Rádio Nacional.

Alguns profissionais da Rede Pública Municipal de Ensino do Rio integram a linguagem do rádio ao trabalho pedagógico. Vítor Nunes, professor da Oficina de Informática e Mídias da E.M. Mozart Lago (5ª CRE), em Oswaldo Cruz, conta que, quando é possível usar equipamentos como mesa e caixas de som, melhor, pois tudo acontece em tempo real, mas nem a ausência deles o impede de fazer a sua Rádio Recreio. O professor grava os programas e os coloca em podcasts na internet. “O rádio é um instrumento especial para trabalhar a capacidade de expressão dos jovens. Desenvolver a comunicação é importante para a vida social, escolar e familiar. Por meio da voz, falamos de nossas insatisfações, curiosidades, etc. No meu trabalho, não busco os alunos que leem melhor, que são mais articulados. Procuro fazer com que todo o grupo participe. O tímido deve ter vez e o muito falante também deve aprender disciplina, usar seu talento para agregar, conviver melhor.”

Na E.M. Max Fleiuss (6ª CRE), na Pavuna, a rádio-auditório funciona às sextas-feiras em duas edições. O primeiro horário conta com o 1º, 2º e 3º anos na plateia e o segundo tempo recebe o 4º e o 5º anos. No palco, a cada semana, locutores mirins vindos de todas as turmas se revezam à frente do microfone, lendo o roteiro que prepararam. A voz é amplificada pelas caixas de som de modo que todos ouçam. É preciso caprichar na dicção. A música, pré-selecionada, chega no pen-drive. Lucinda Moreno Freire, coordenadora pedagógica, explica que o projeto incentiva o protagonismo e a concentração infantil. As crianças pesquisam o tema abordado – importância da água, consciência negra, paz, bullying, dengue, etc. – e participam do projeto com interesse.

A MultiRio aposta na força do rádio para o público infantil. Em 2017, produziu a série Rádio Espaçonave Mirim, apresentada pela dupla de contadores de história Jujuba e Ana Nogueira. Em 2018, dedicará toda a programação de sua Web Rádio às crianças. “Em um mundo onde tudo acontece tão rápido, é importante iniciativas que resgatem a capacidade de ouvir”, aposta Ana Nogueira.

Daniel Sant’Anna, coordenador da MultiRio Web Rádio, conta que o novo formato oferecerá música de qualidade para crianças: “Nosso compromisso é com a boa música, então haverá Paulo Tatit, Alceu Valença, Flautistas da Pro Arte, Adriana Calcanhotto, Os saltimbancos, Arca de Noé, muita gente interessante que, muitas vezes, os pequenos não encontram na mídia comercial”. Daniel ressalta também que professores de diversas línguas estrangeiras contarão com rico acervo.

A partir de 7 de maio, vale conhecer a nova programação da MultiRio Web Rádio e participar do concurso que irá escolher o seu novo nome.

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