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Palácios da Cidade
13 Julho 2018
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Panteão em primeiro plano, com Palácio Duque de Caxias ao fundo (Fonte: www.panoramio.com)

Dentre os projetos monumentais para a construção das sedes ministeriais, durante o Estado Novo, um se destaca pelas suas dimensões: é o Palácio Duque de Caxias, maior edifício público de sua época, com 86 mil metros quadrados e 23 andares.

Ali funcionou o Ministério da Guerra, assim chamado até 1967, quando passou a ser denominado Ministério do Exército. Em 1971, o órgão foi transferido para Brasília e, três anos depois, o conjunto arquitetônico recebeu o nome em homenagem ao patrono do Exército Brasileiro. Até então, se chamava Palácio da Praça da República.

Ponto importante na história da cidade

A chegada da família real levou à necessidade de criação de uma sede do Exército. O Quartel General da Praça da República foi projetado, em 1811, pelo engenheiro Manoel da Costa, construído em sete anos e ampliado em 1861, quando passou a abrigar o Ministério da Guerra, comandado por Duque de Caxias. Após uma longa reforma, novas instalações foram inauguradas por Hermes da Fonseca em 1910, quando o prédio passou a sediar, também, o Estado-Maior do Exército, criado em 1896.

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Palácio Duque de Caxias quase pronto, com o Quartel General da Praça da República ainda não demolido, logo à frente. À esquerda, o prédio da Central do Brasil, em fase final de construção (Fonte: www.ahex.eb.mil.br)

Na década de 1930, no entanto, o edifício passou por uma grande remodelação, pela qual apenas as duas alas laterais foram preservadas. Afastado 20 metros em relação à face posterior do antigo quartel, que depois foi demolido, começou a ser erguido, no dia 7 de setembro de 1937, um novo complexo, concluído em 28 de agosto de 1941. O projeto ficou a cargo de Cristiano Stockler das Neves, arquiteto especialista em uso do concreto armado. Uma comissão composta pelos engenheiros militares major Raul de Albuquerque e capitão Rubens Rousado Teixeira assumiu a responsabilidade pelas obras.

Na ala principal, voltada para a Avenida Presidente Vargas – via que começou a ser construída em 1941 e ficou pronta em 1944 – além de subsolo e sobrelojas, existem 10 andares e 1 torre central com mais 13 pavimentos. Ao fundo, em paralelo, foi colocada uma quarta ala com seis andares, fechando o complexo. Com isso, toda a administração do Exército passou a ficar concentrada no mesmo endereço. Atualmente, o Palácio Duque de Caxias é ocupado pelo Comando Militar do Leste, pela 1ª Região Militar, pelo Departamento de Ensino e Pesquisa e suas diretorias e pelo Arquivo Histórico do Exército, entre outros órgãos.

Monumentalidade

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À esquerda, painel em bronze de Hildegardo Leão Veloso. À direita, vista geral dos vitrais do salão nobre (Fontes: www.orioqueorionaove.com e www.ahex.eb.mil.br)

Tanto a base quanto o pórtico de entrada foram revestidos de granito vermelho escuro e de granito preto. O piso da ala principal foi feito em mármore vindo do Paraná, de Santa Catarina e de Minas Gerais. O saguão de entrada abrange dois andares e tem, ao fundo, um vitral de 13 metros de altura, de autoria de Alcebíades Miranda, chamado Duque de Caxias em Itororó. Na fachada, na altura do terceiro e do quarto andar, foi colocada uma ornamentação com dois painéis em bronze, com os temas A glória militar e Apoteose à bandeira, do escultor Hildegardo Leão Veloso. Uma das áreas mais imponentes do palácio fica alguns andares acima, no décimo piso, onde o salão nobre de recepções ostenta belíssimos vitrais em todo o teto, confeccionados por Armando Martins Viana, após vencer um concurso de seleção. As obras foram batizadas de A Batalha dos Guararapes, A defesa das fronteiras, Batalha do Avaí, República e A pátria brasileira.

Em 25 de agosto de 1949, foi inaugurado, em frente ao prédio, o Panteão de Caxias. Além de uma estátua equestre do homenageado, feita por Rodolfo Bernardelli em 1897, e que até então se localizava no Largo do Machado, repousam ali os restos mortais do patrono do Exército e da Duquesa de Caxias, trasladados do Cemitério São João Batista. Em dezembro de 1998, o Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac) fez o tombamento do palácio. Até que se encerre a intervenção federal no estado do Rio de Janeiro, iniciada há poucas semanas, as visitas guiadas estão suspensas.

Fontes:
CALDEIRA, Marcelos de Carvalho. Entre a utopia e a realidade: a arquitetura moderna e a Era Vargas (1930-1945). Dissertação de mestrado. Universidade do Grande Rio, Duque de Caxias, 2010.
Site do Comando Militar do Leste
Site do Inepac

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