24 Agosto 2018
0
0
0
s2sdefault
 

“Queremos ampliar o repertório e a capacidade expressiva dos estudantes por meio da linguagem teatral. Paulo Freire dizia que o processo de alfabetização só tem sentido se o sujeito expressar a sua palavra”, explica o coordenador de Teatro da SME Veríssimo Júnior sobre suas intenções com a implantação do programa A Escola Fertiliza a Cena da Cidade. O objetivo é democratizar a cultura, levando-a para além do eixo Centro-Zona Sul. Uma das principais linhas de ação é o 1º Festival de Teatro dos Alunos da Rede – o Festa.

O Festival é aberto a todas as escolas públicas municipais e as inscrições podem ser feitas até 5 de setembro neste link. Já houve adesão de unidades das 11 CREs. O Festa terá uma primeira etapa regional, com o apoio da comissão organizadora, de onde serão selecionadas duas peças por coordenadoria regional. As 22 peças, de no máximo 20 minutos cada, serão apresentadas em novembro no Teatro Ipanema. Na ocasião, dois professores de Artes Cênicas e um artista farão comentários sobre o que assistiram, dizendo o que gostaram, quais são suas propostas e críticas. “O objetivo é que os grupos voltem para suas escolas com um retorno sobre o trabalho realizado e prossigam em um novo patamar de qualidade. A ideia do Festival é abrir um tempo e um espaço para debater a linguagem teatral na Rede”, explica o coordenador. As peças podem ser originais ou adaptadas.

Entre junho e julho, os professores orientadores participaram de vivências na Escola de Formação Paulo Freire. Nesses encontros, os artistas plásticos Cadu e Bia Petros, do Instituto República, levaram objetos cênicos diversos – lanternas de led, sacos com feijões, tecidos, bexigas de ar – para exercitar o que Veríssimo Júnior chama de princípio do jogo. “Antes de ser representação, o teatro é um jogo, do ator (como elemento central) com outro ator, com a plateia, com a luz, com objetos e com o texto. Estimulo os professores a explorar a concretude da cena, que ela não seja criada somente a partir da ficção.” O objetivo das vivências foi oferecer ferramentas para compreensão da dimensão do teatro como linguagem e não apenas como meio pelo qual se passa uma mensagem ou recurso pedagógico.

Maré presente

Bianca Alves é professora orientadora de um grupo de teatro da E.M. Escritor Bartolomeu Campos de Queiróz (4ª CRE), na Maré, que participará do Festa. São 25 alunos de 12 anos do 6º ano. Eles decidiram escrever uma peça original em conjunto. O título é Tempo de Escola – Afetos. A história se passa em 2028, quando um ex-aluno, escritor famoso, visita a escola onde estudou e relembra momentos passados ali.

“O teatro é fundamental porque dá prazer e também porque trabalha os relacionamentos. A turma é dada a picuinhas e implicâncias, mas, ao fazer teatro, eles precisam trabalhar em conjunto e confiar uns nos outros, porque de outro modo não sai”, contou Bianca. A professora disse também que as crianças estão animadíssimas com a perspectiva de se apresentarem na Arena Dicró, na Penha, local da etapa regional do festival. Muitos deles nunca saíram da Maré e fazem questão que os pais estejam na plateia.

Pesquisa americana

Pesquisa realizada recentemente por Jay P. Greene, professor de Políticas Educacionais da Universidade do Arkansas, nos Estados Unidos, e colegas, mostrou que levar estudantes para assistir a peças de teatro aumenta sua tolerância, assim como promove um maior entendimento do enredo e do vocabulário utilizado na peça. Os mesmos resultados não foram observados nos alunos que viram as mesmas histórias por meio de um filme, nem no grupo que ficou na escola sem realizar aulas de campo. O grupo que foi ao teatro assistiu a cinco peças diferentes em dois anos.

Mídias Relacionadas
Relacionados
Mais Recentes