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VI Semana de Alfabetização
14 Setembro 2018
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Com muito carisma e bom humor, a professora doutora Cintia Barreto falou sobre literatura infantil (Foto: Alberto Jacob Filho)

A tarde do segundo dia de atividades da VI Semana de Alfabetização da SME-Rio foi composta por uma palestra sobre educação literária com Cintia Barreto, doutora em Literatura Brasileira pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e coordenadora da pós-graduação em Literatura Infantil e Juvenil da Universidade Candido Mendes; e pela mesa-redonda A docência e a produção de conhecimentos em alfabetização, com as professoras Liliane Marins, da Gerência de Alfabetização, Raquel Moraes, da E.M. São Domingos (3ª CRE), Adriana Afonso, do Ciep Almir Bonfim de Andrade (7ª CRE), e Letícia Santos da Cruz, da Gerência de Educação da 9ª CRE.

Especialista em Literatura Infantil e Juvenil, Cintia Barreto falou sobre os diferentes níveis de leitura: sensorial, que vai desde o contato com a capa do livro, por exemplo; emocional, em que a história diz respeito à própria história da criança; e racional.

“O texto literário promove um diálogo que não está no currículo, mas está na vida. Como quando aborda o tema separação dos pais, e mexe no emocional. É preciso ter conhecimento linguístico, textual e de mundo. É complicado gostar dos textos se esses conhecimentos são limitados. A alfabetização tem que ser interdisciplinar e não devemos separar livro e brinquedo. Livros são brinquedos!”, comenta Cintia Barreto, ressaltando que os livros devem estar acessíveis às crianças e não servirem de enfeite.

A palestrante enfatizou a importância de as escolas e os professores darem destaque às leis nº 10.639 e nº 11.645, que tornam obrigatório o ensino de história e cultura afro-brasileira e africana, e dos povos indígenas brasileiros, sugerindo os livros Em boca fechada não entra mosca, de Fátima Miguez, e Você lembra, pai?, de Daniel Munduruku.“Precisamos muito da literatura indígena! É uma leitura necessária, que valoriza temas como a natureza e o afeto”, reforçou.

Segundo Cintia Barreto, o momento é de gêneros diversificados. “Literatura para mim é o que causa estranhamento, tira a palavra do lugar comum. Se eu leio e não sinto um tipo de desconforto, tanto para a alegria como para a tristeza, se não mexe comigo de alguma forma, não é literatura, é paratexto, texto didático.”

Sobre a adequação dos temas ao público infantil, ela defende que todos os assuntos podem ser tratados com as crianças. “Morte, violência, separação dos pais... é possível e é preciso falar e refletir sobre tudo com as crianças, porque eles vivem e veem isso. Basta adequar a linguagem.”

Na visão de Cintia Barreto, tanto o professor quanto a gestão da escola podem fazer a diferença no estímulo à leitura. “Se o professor não lê, não estimula a leitura em seus alunos. Diretores e coordenadores pedagógicos podem promover reuniões para provocar isso, ler com os professores. Nem todos foram leitores desde pequenos. E o contrário também ocorre: professores esbarrando em burocracias da Direção. Mas toda a escola tem que pensar em uma educação literária.”

A experiência de professoras da Rede Municipal

As professoras Liliane Marins, Raquel Moraes, Adriana Afonso e Letícia Santos da Cruz (Foto: Alberto Jacob Filho)

Na mesa-redonda que deu prosseguimento ao evento, Liliane Marins, da Gerência de Alfabetização, destacou que é na busca de se tornar um pesquisador que o professor aprende, e reforçou três pilares da alfabetização: ser significativa, ser produtiva e ser desafiadora. “No chão da escola, fazemos história”, comentou.

Raquel Moraes apresentou o trabalho desenvolvido na E.M. São Domingos (3ª CRE), que dá destaque a rodas de leitura e de conversa diárias, e à ideia da criança autora, por meio de um projeto em que, ao longo do ano, as crianças constroem um livro. “O aluno é o personagem principal. Eles fazem perguntas e, quando não sei responder, anoto e proponho que a gente pesquise junto”, explicou a professora do 1º ano.

Especialista em docência do Ensino Fundamental, Adriana Afonso, do Ciep Almir Bonfim de Andrade (7ª CRE), apresentou uma experiência que suscitou a pesquisa “Os seus, os meus, os nossos” – O reagrupamento como estratégia de recuperação paralela em uma turma de 3º ano, de sua autoria. Por meio do projeto, duas turmas bastante heterogêneas de 3º ano, de turno único, misturaram-se e, depois, foram reagrupadas entre os alunos que estavam no início e os que estavam no final do processo de alfabetização. “Por meio do reagrupamento, as crianças se descobriram capazes de ler e escrever. E eu também me descobri capaz de pesquisar, discutir com o grupo. É muito importante que os professores pesquisem e publiquem. Esse diálogo vai enaltecer nosso papel na sociedade”, afirmou.

Em seguida, a professora Letícia Santos da Cruz, da Gerência de Educação da 9ª CRE e doutoranda em Educação, pontuou que falar da identidade e da prática docente é falar de encontros. “A prática alfabetizadora vai além de codificar e decodificar. É mais do que dar conta do código linguístico. É abrir espaço para as crianças perguntarem a si próprias, aos livros, às letras. As crianças são nosso bem comum, o que nos une.”

Acompanhe também a cobertura do evento, atualizada ao longo da semana. Em breve, os vídeos das palestras e debates estarão disponíveis.

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