01 Novembro 2018
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Turma da E.M. Anne Frank, em Laranjeiras, no Paixão de Ler (foto: Alberto Jacob Filho)

Júlio Emílio Braz já escreveu 183 livros, alguns deles consagrados, como Saguairú, melhor infantojuvenil do Prêmio Jabuti em 1989, e Crianças na Escuridão, vencedor do Austrian Children Book Award, na Áustria, e do Blue Cobra Award, do Swiss Institute for Children´s Book, na Suiça, ambos em 1997.

Júlio compartilhou as aventuras de sua vida com alunos do 5º ano da E.M. Anne Frank (2ª CRE), em Laranjeiras, durante encontro na Biblioteca Machado de Assis, em Botafogo, na tarde de 31 de outubro. A palestra fez parte da 26ª edição do projeto Paixão de Ler, da Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro. As crianças o ouviram com atenção, fizeram perguntas e pediram que ele autografasse os livros que ganharam de presente.

O autor é autodidata desde criança. “Eu fui criado na parte mais pobre da favela Parque União, em Bonsucesso, a que fica sobre as águas, em cima de palafitas. Tive a sorte de sempre ter muitos livros e revistas no barraco da minha família. Minha mãe, que era lavadeira, comprava à prestação e também ganhávamos dos patrões da minha tia, que era empregada doméstica no Leblon. Quando entrei para a escola já sabia ler”.

Júlio começou a trabalhar aos 12 anos, carregando compras na feira, mas jamais abandonou os estudos. Sua formação foi toda em escolas públicas do Rio: E.M. Dilermando Cruz (4ª CRE), em Ramos, e Colégio Estadual Clóvis Monteiro. “Gostava muito de atravessar o valão que separava a favela da escola. Eu percebia que havia um mundo para além de onde eu morava e que podia ambicionar conhecê-lo”, explicou o autor.

Ele trabalhou também como técnico em contabilidade, mas gostava mesmo de escrever. Quando ficou desempregado, seu irmão o indicou para a editora Vecchi, na Rua do Rezende, no Centro do Rio, especializada em quadrinhos de terror feitos por brasileiros. Aos 20 anos, adaptou para o gênero uma história que havia escrito sobre a invasão holandesa de Recife e nunca mais parou de publicar, vivendo exclusivamente de seu ofício preferido há 37 anos.

O escritor Júlio Emílio Braz autografa livros para os alunos da Rede Pública Municipal de Ensino

Trata-se de um escritor versátil. Trabalhou como roteirista de Os Trapalhões por um ano e meio na TV Globo, e, em 1987, lançou seu primeiro livro infantojuvenil pela editora FTD. Saguairú sobre o lobo-guará e um indígena no Pantanal. Em 1991, publicou Crianças na Escuridão, cujas protagonistas são meninas que moram na rua. Esse livro está em sua 35ª edição e proporcionou-lhe viagens a diversos países, como Itália e França, além daqueles em que foi premiado.

Em 2003 e 2008, entraram em vigor respectivamente as leis que obrigam o ensino de história e cultura afrobrasileira e indígena nas escolas. Júlio se deu conta de que havia pouco material com o qual os professores pudessem trabalhar os temas em sala de aula. Por meio da internet, comprou livros especializados em livrarias de Portugal, Inglaterra e França. A partir de estudos antropológicos e lendas, desenvolveu narrativas cujos temas são a Àfrica, a história do negro no Brasil, o negro na sociedade Brasileira e o racismo. Em 2015, formou-se em História pela Uni-Rio.

O evento Paixão de Ler acontece em inúmeras bibliotecas e centro culturais municipais até 11 de novembro. São diversas atividades artístico-literárias gratuitas. O tema de 2018 é Trilhas Literárias, Identidades Culturais. A programação colabora para o acesso à leitura, cultura e educação por meio da literatura e da vocação cultural e artística das ruas da cidade. Além de encontros com autores, acontecem saraus, oficina de zines, rodas de leitura e contação de histórias. Confira a programação completa aqui.

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