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06 Agosto 2020
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Imagem: macrovector/ Freepik

Em diferentes modalidades, etapas e níveis de ensino, objetivos e expectativas de aprendizagem vêm sendo revistos e adequados ao período de isolamento social. No contexto da Educação Especial, oferecida a estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação, professores, universidades e a Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro (SME–Rio), por meio do Instituto Municipal Helena Antipoff (IHA), atuam em um esforço contínuo para manter o vínculo dos alunos com a escola, orientar as famílias sobre rotinas e atividades mais indicadas e oferecer formações para os docentes. A Jornada Pedagógica da Educação Inclusiva é um exemplo. O evento será transmitido entre os dias 10 e 13 de agosto, no canal da MultiRio no YouTube.

Na live Estratégias Promotoras de Inclusão em um Cenário de Pós-pandemia, realizada pela 8ª CRE, a professora de Educação Musical das escolas municipais Clementino Fraga (Bangu) e Roberto Simonsen (Realengo), Carine Lemos, reforçou a importância de atividades pedagógicas pensadas nnos alunos, e não em suas deficiências ou transtornos. “Recebo algumas perguntas e pedidos por atividades para serem aplicadas, por exemplo, com um aluno autista. Nós, professores, fazemos com que o transtorno chegue primeiro que o aluno. Por que uma atividade específica para ele, se quando falamos sobre alunos, falamos sobre diversidade?”, questiona.

Nesse sentido, uma parceria entre a Revista Autismo e o Instituto Mauricio de Sousa reuniu orientações e sugestões de rotinas e atividades que, apesar de pensadas especialmente para crianças com transtorno do espectro do autismo (TEA), podem ser adotadas com todas as crianças, como destacado no material. André, personagem autista da Turma da Mônica, é a estrela de 34 posts compartilhados no Instagram da revista, especializada em TEA e gratuita. Desde o início de 2019, as edições do magazine contam com um cartum de Mauricio de Sousa em uma de suas páginas, sempre destacando algum aspecto básico desse transtorno.

O termo “Transtorno do Espectro do Autismo” passou a ser usado a partir de 2013, na nova versão do Manual de Diagnóstico e Estatística dos Transtornos Mentais (DSM-5), publicação oficial da Associação Americana de Psiquiatria.

 

André, personagem autista da Turma da Mônica, é a estrela de projeto da Revista Autismo com o Instituto Mauricio de Sousa (Imagem: Divulgação/ RevistaAutismo.com.br)

A professora Carine Lemos acrescenta que, ao pensar em atividades voltadas à inclusão, é preciso conhecer o aluno – preferências, gostos, manias –, pesquisar o que mais chama a atenção dele – cores, números, música etc. – e, então, proporcionar um aprendizado significativo e relevante. A docente publica textos e sugestões de atividades em seu blog e oferece, ainda, um curso básico de Libras em videoaulas disponibilizadas no YouTube.

 

Atenção bilíngue virtual para crianças surdas e literatura inclusiva

Por meio do projeto de extensão Atenção Bilíngue Virtual para crianças surdas em meio à pandemia, uma equipe do curso de graduação em Tradução e Interpretação em Língua Brasileira de Sinais – Libras/ Língua Portuguesa da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), em São Paulo, cria materiais didáticos e produz mídias com contações de histórias infantis em Libras, de maneira lúdica e interativa.

“O isolamento infantil de crianças surdas nos preocupa por três motivos: pela falta de interlocutores em potencial em Libras – neste período de restrições comunicativas – e seus efeitos para a aquisição da língua de sinais já tardiamente; pela falta de informação diante das barreiras linguísticas entre pais e filhos surdos; e, por fim, pela falta de materiais para entretenimento dessas crianças em língua de sinais”, destaca o texto institucional do projeto, divulgado no canal do curso (Audiovisual TILSP) no YouTube, onde as produções da equipe podem ser vistas.

Livros com conteúdo inclusivo estão disponíveis no Canal Sala de Leitura SME Carioca (Imagem: Reprodução/ YouTube)

A proposta de contação de histórias infantis (#CasaLibras) é colaborativa: vídeos podem ser produzidos por qualquer pessoa interessada e enviados ao canal, seguindo algumas instruções. As histórias publicadas incluem, desde clássicos, como O Patinho feio, de Hans Christian Andersen, até uma lenda da filosofia africana Ubuntu.

Na Rede Pública Municipal de Ensino do Rio, e-books com conteúdo inclusivo estão disponíveis no aplicativo SME Carioca 2020 e em formato de vídeo no Canal Sala de Leitura SME Carioca, em versões narradas, com audiodescrição e em Libras. A iniciativa é fruto de uma parceria da SME–Rio com o Instituto Incluir e com projeto Literatura Acessível. Depois do período de isolamento social, esses livros seguirão disponíveis, podendo ser trabalhados nas escolas da Rede.

As histórias retratam as trajetórias de vidas de pessoas com algum tipo de deficiência, como em O menino que escrevia com os pés, de Carina Alves, e A princesa que tinha um cromossomo a mais, de Carina Alves e Mariana Meira.

Guia reúne atividades voltadas para crianças e adolescentes com deficiência motora

A cartilha Minimizando o efeito do isolamento social de crianças com deficiências motoras: como estimular seu filho na participação das atividades diárias, traz propostas para integrar crianças e adolescentes com deficiência motora ao dia a dia de suas casas, por meio de atividades que envolvem a participação no preparo da alimentação, na organização do quarto, no autocuidado etc. Em alguns casos, há orientação para adaptação de utensílios, como talheres e escova de dente.

O material, produzido por estudantes e docentes dos departamentos de Fisioterapia e Terapia Ocupacional da UFSCar e da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP), também inclui brincadeiras para incentivar a mobilidade e trabalhar a postura corporal.

Recursos tecnológicos e Educação Especial

Jornada será transmitida no canal da MultiRio no YouTube, entre os dias 10 e 13 de agosto (Imagem: Divulgação)

No seminário virtual Educação Especial no Mundo 4.0, promovido pelo Ministério da Educação, por meio da Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (Setec) e da Secretaria de Modalidades Especializadas (Semesp), especialistas debatem o atual cenário e os desafios no âmbito dessa modalidade de ensino. No evento, disponível no YouTube, são apresentados trabalhos sobre tecnologias digitais na Educação 4.0 e práticas inclusivas focadas no trabalho com pessoas com deficiência física e intelectual e com altas habilidades/superdotação durante a pandemia. Os arquivos das apresentações dos palestrantes estão disponíveis para download.

Discussões sobre recursos tecnológicos para alunos com deficiência e com altas habilidades integram, também, a programação da Jornada Pedagógica da Educação Inclusiva, ação de formação continuada promovida pela SME–Rio em conjunto com o Instituto Municipal Helena Antipoff. A Jornada, que acontece entre os dias 10 e 13 de agosto, aborda, ainda, temas como o ensino remoto para alunos com transtornos globais do desenvolvimento (TGD) e com TEA, perspectivas e possibilidades para estudantes com deficiência intelectual e práticas inclusivas na Educação Infantil.

O evento marca os 46 anos do IHA e os 10 anos de gestão da diretora Katia Nunes, especialista em Educação Inclusiva. Para obter certificado de participação, os interessados devem se inscrever previamente. Os vídeos da Jornada serão publicados no Portal MultiRio e no canal da Empresa no YouTube. Confira, abaixo, a programação completa.

Programação da Jornada Pedagógica da Educação Inclusiva 2020

Dia 10/08

Manhã – 10h – Ressignificando a Educação?
Palestrantes: Claudia Linhares Lucas Ferreira, neuropsicopedagoga, e Fanni Hamphreis da Silva, fonoaudióloga, pedagoga e mestre em Ciências da Saúde.

Tarde – 14h – Trabalho remoto com alunos com TGD/TEA
Palestrante: Isabel Moura, mestre em Psicologia Social.
 
Dia 11/08

Manhã – 10h – Um novo olhar diante dos recursos tecnológicos para os alunos com deficiência
Palestrantes: Vilma Gomes Sampaio e Laura Jane Messias Belém, mestres em Educação.

Tarde – 14h – Um novo olhar diante dos recursos tecnológicos para os alunos com altas habilidades
Palestrantes: Regina Marques Nunes Rosa, especialista em Altas Habilidades/Superdotação.

Dia 12/08

Manhã – 10h – Saberes e práticas inclusivas na Educação Infantil
Palestrantes: Fanni Hamphreis da Silva, fonoaudióloga, pedagoga e mestre em Ciências da Saúde, e Tereza Cristina Simões de Paiva, fonoaudióloga e especialista em Educação Especial.

Tarde – 14h – A escola como local de interação e aprendizagem
Palestrantes: Vânia Galo de Melo, especialista em Educação Infantil, e Gabriela Ferreira Ramiro de Souza, mestre em Diversidade e Inclusão.
 
Dia 13/08

Manhã – 10h – A contribuição da Intersetorialidade na garantia da inclusão social
Palestrantes: Mônica Rocha Maciel da Silva, graduada em Farmácia Industrial, e Suzana Assunção Casanova, mestre em Diversidade e Inclusão.

Tarde – 14h – Perspectivas e possibilidades: estudantes com deficiência intelectual
Palestrante: Sheila Venancia da Silva Vieira, mestre em Diversidade e Inclusão, e Valéria Oliveira dos Santos, psicopedagoga, psicanalista e especialista em Educação Especial Inclusiva e Saúde Mental.

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