19 Agosto 2014
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arco flechaFaltam dois anos para que os Jogos Olímpicos aconteçam no Rio de Janeiro, mas 142 escolas do município já estão envolvidas em atividades ligadas ao evento por meio do programa Transforma, uma parceria entre a SME e o Comitê Organizador Rio 2016.

O Transforma cria oportunidades para estudantes vivenciarem valores olímpicos (respeito, amizade e excelência) e paralímpicos (coragem, determinação, igualdade e inspiração), bem como experimentarem esportes não tão difundidos em seu cotidiano. O projeto oferece, ainda, material didático, disponível na internet, com informações sobre história e simbologia do campeonato.

Alunos tornam-se agentes jovens do Transforma

Dez alunos de cada escola fizeram um curso de formação em abril, assim como seus tutores, os professores de Educação Física e os coordenadores pedagógicos, totalizando 523 pessoas. Esses quatro grupos são líderes do programa nas unidades escolares e responsáveis por criar projetos de mobilização e de transformação. Durante o curso, os estudantes conversaram com a judoca Sarah Menezes, primeira medalhista olímpica brasileira no judô feminino, e experimentaram cinco esportes: tênis, tiro com arco, golfe, hóquei sobre a grama e badminton.

Maratona de Valores

De volta ao cotidiano escolar, os agentes jovens passaram para os demais alunos o desafio da Maratona de Valores, em que as escolas competem entre si para criar ações que traduzam os valores olímpicos. A primeira, lançada no dia 12 de abril de 2014, abordou o ideal do “jogo limpo” – aquele que mantém uma relação ética e respeitosa com os outros competidores. A proposta era que o conceito fosse aplicado em ações envolvendo a escola e a vida.

lixoSomando 9.312 votos populares via internet, a E.M. Orestes Barbosa, na Vila Kennedy, Zona Oeste, conquistou o primeiro lugar, com os trabalhos sobre dengue desenvolvidos na escola e na comunidade. Os agentes jovens e demais estudantes distribuíram, porta a porta, no bairro, panfletos alertando a população sobre prevenção. Eles também revitalizaram o pátio da escola e aprenderam a produzir adubo a partir de matéria orgânica, com um membro da comunidade.

“Uma das coisas que precisávamos resgatar aqui era a questão dos valores, como respeito, determinação e amizade. Esses valores precisam ser aprendidos e vivenciados pelos alunos. Pouco a pouco, conseguimos contagiar a escola inteira”, comemora Eliete Ventura, diretora da E.M. Orestes Barbosa.

A segunda colocada, com 7.854 votos, foi a E.M. Guimarães Rosa, em Deodoro, Zona Oeste. Os alunos criaram uma horta, pintaram a quadra e organizaram um torneio de futsal.

“Nosso grande desafio foi a quadra, que não temos. Nosso pátio estava com o cimento muito ruim. Contamos com um profissional para ajudar a fazer a marcação, mas tivemos de 15 a 20 crianças pintando junto. Foi uma festa”, lembra a diretora Jorgina Rodrigues.

O GEO Doutor Sócrates, terceiro lugar, com 6.490 votos, desenvolveu uma campanha para limpeza do refeitório e conscientização sobre desperdício de comida.

Como premiação, as três escolas vencedoras foram convidadas para o primeiro evento-teste dos Jogos Rio 2016, a Regata Internacional de Vela, que reuniu 35 países e 326 atletas (sendo 32 medalhistas olímpicos) na Marina da Glória, entre os dias 2 e 9 de agosto.

Grafite em velas

velaNesta ocasião, 200 alunos de cinco unidades municipais produziram uma exposição de grafite em velas, usando temas como esportes aquáticos e ciclo da água. A exposição ficará aberta ao público no Parque do Flamengo, próximo à entrada da Marina da Glória, até o final da competição.

Como preparação para o trabalho, participaram de palestras sobre história do grafite, processo criativo e a importância da água em esportes aquáticos, com artistas do GaleRio e com o atleta Samuel Gonçalves, do projeto Grael, no Circo Voador, na Lapa. As escolas receberam também a visita de Tião Santos, presidente da Associação dos Catadores do Aterro Metropolitano de Jardim Gramacho e protagonista do documentário Lixo Extraordinário (indicado ao Oscar em 2011). Os alunos assistiram ao filme nas escolas e puderam debater com Tião o destino do lixo no Brasil e a importância da reciclagem.

Segunda Maratona de Valores

Depois de praticarem o Jogo Limpo, as unidades escolares que estão participando do Transforma foram chamadas a promover o voluntariado na escola. O prazo para entrega dos trabalhos é 1º de setembro, a votação popular é via YouTube e os vencedores serão conhecidos em 26 de setembro. As três escolas vencedoras do desafio Escola Solidária receberão como prêmio a visita a uma instalação esportiva olímpica e paralímpica, ainda não definida.

Capacitação para professores de Educação Física

Para aumentar as opções de esportes nas escolas, o Transforma oferece capacitações esportivas para professores de Educação Física sobre novos esportes olímpicos e paralímpicos – atividades que possam ir além dos quatro principais esportes ensinados e praticados nas unidades de ensino, conhecidos pelos profissionais como o “quadrado mágico”: futebol, handebol, basquetebol e voleibol.

professoresEm maio passado, 50 professores de Educação Física da Rede Municipal treinaram badminton e hóquei de grama no GEO Félix Mielli Venerando, no Caju. Após a apresentação teórica do programa de educação e da categorização dos esportes no auditório, os professores foram divididos em dois grupos para que todos pudessem experimentar, por três horas, cada esporte na quadra. Outra capacitação aconteceu em julho, quando 51 professores trabalharam esportes de marca (atletismo olímpico e paralímpico) na Vila Olímpica do Mato Alto, em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio. O curso foi oferecido em parceria com a Federação de Atletismo do Rio de Janeiro (Farj).

Na ocasião, houve uma oficina de produção de implementos de atletismo com materiais recicláveis, como garrafas plásticas, jornais usados, caixas de papelão e de leite, cabos de vassoura, pneus e sacos plásticos. Os próprios professores coletaram esses materiais e, a partir deles, construíram martelos, dardos, discos, barreiras, pesos e varas.

Com esses produtos, foi montado um circuito de atletismo para experimentação de diferentes disciplinas, como corrida, salto em distância, salto em altura, salto com vara e arremesso de peso. Essas disciplinas representam o conjunto de provas que compõem o atletismo e podem ser adaptadas para o ensino escolar.

Professora de Educação Física da E.M. Luiz Delfino, na Gávea, Zona Sul, Carmem Lúcia defendeu que a falta de quadra não é mais um impeditivo para que os alunos vivenciem novos esportes: “Como professora de Educação Física, me desesperei quando escolheram minha escola para participar do Transforma, porque não sabia como ensinaria esses novos esportes numa escola sem quadra. Não tenho espaço, só um corredor com chão de pedra”, contou a educadora. “Mas comprei a ideia e decidi estudar uma maneira de adaptar à escola. Já fizemos experimentação de atletismo, esgrima e vôlei sentado. Os alunos curtem essas novidades e merecem nosso esforço!”.

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