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Vendedores de mate e biscoito de polvilho
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Patrimônio Imaterial do Rio
16 Outubro 2014 | Por Carla Araújo
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mate de_galao_e_biscoito_globo_João Bandeira de Mello_G1A dupla mate e biscoito de polvilho é a mais carioca possível e, passeando pelas praias do Rio, não há quem não reconheça os vendedores desses produtos, cada um com seu jeito próprio de atrair a freguesia. Por isso, em março de 2012, por meio do Decreto nº 35.179, a Prefeitura declarou Patrimônio Cultural Carioca esse tipo de vendedor ambulante.

O decreto leva em consideração a necessidade de preservar a memória da cidade, já que o ambulante é um personagem marcante e tradicional, além de um elemento importante da cultura do Rio.

De São Paulo e do Paraná

Apesar da dupla Matte Leão e Biscoito Globo ter se tornado um símbolo do Rio, o curioso é que nenhuma das duas delícias tem origem na cidade. A Leão foi fundada em 1901, por Agostinho Ermelino de Leão Junior, no Paraná. Já o salgadinho de polvilho nasceu no bairro Ipiranga, em São Paulo. Em 1953, os irmãos Milton, Jaime e João Ponce, em virtude da separação dos pais, foram morar com um primo que era dono de uma padaria. Lá, os três aprenderam a fazer os biscoitos e os ofereciam pelas ruas da capital paulista.

Nos anos 1950, o mate, já consolidado no mercado nacional, esteve presente na inauguração do Maracanã, onde até hoje é vendido durante os jogos. Em 1955, os irmãos Ponce decidiram comercializar seus biscoitos no Rio de Janeiro, aproveitando a grande movimentação gerada pelo 36º Congresso Eucarístico Internacional. Após o sucesso da iniciativa, a família viu na Cidade Maravilhosa o mercado ideal para o produto.

Biscoito Globo.com.br

A partir daí, eles começaram a trabalhar em uma padaria chamada Globo, na Rua São Clemente, em Botafogo, e batizaram os biscoitos com o nome. Do balcão, ofereciam a novidade trazida de São Paulo e, em pouco tempo, passaram a fornecer para outros estabelecimentos. Em menos de uma década, a criação dos irmãos Ponce já fazia tanto sucesso na cidade que eles se juntaram com um novo sócio, o português Francisco Nunes Torrão, e abriram a Panificação Mandarino Ltda., em 1963. A parceria deu muito certo e os quatro são os responsáveis pela fábrica do Globo até hoje.

Das fábricas para as praias

Em 1987, focando no mercado carioca, a Leão lançou o mate pronto para beber, em copos, nos sabores natural e limão. Desde os anos 1960, na Rua do Senado, número 273A, ambulantes fazem fila na fábrica de biscoitos Globo antes mesmo do sol raiar. É lá que são comprados os grandes sacos com as versões doce e salgada do clássico aperitivo.

Todos os dias, bem cedo, os vendedores, já com o estoque de biscoitos, partem para as praias, penduram os galões de mate nos ombros e começam uma verdadeira maratona pelas areias. Com voz forte para anunciar os produtos e muita disposição para encarar o calor, caminham pela orla até escurecer e os últimos banhistas voltarem para casa.

A dupla fez tanto sucesso que se expandiu para além das praias e, hoje, pode ser encontrada por toda parte, desde padarias e supermercados até no trânsito e nos transportes públicos. A declaração desses trabalhadores como patrimônio imaterial, além de reconhecer a sua importância para a cultura da cidade, permite que os ambulantes exerçam a profissão legalmente e com dignidade.

 
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