04 Outubro 2018
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A gerente de Parcerias Estratégicas de Educação do YouTube no Brasil, Clarissa Orberg, apresentando alguns números

No sábado (29), professores EDUtubers estiveram no YouTube Space Rio, na Zona Portuária, para o primeiro EduCon no Brasil. O encontro, em parceria com a Fundação Lemann, reuniu 120 criadores de todas as regiões do Brasil que produzem conteúdo voltado para a Educação.

Atualmente, no YouTube são publicados cinco dias de conteúdo a cada minuto e, dentro de todo esse conteúdo, mais de um bilhão de vídeos educativos são vistos por dia. Essas informações foram apresentadas pela gerente de Parcerias Estratégicas de Educação do YouTube no Brasil, Clarissa Orberg, durante uma conversa sobre as novidades da plataforma.

Com esses números, cada vez mais professores estão usando a plataforma para montar seus canais, publicar suas aulas e divulgar as próprias experiências nas escolas. Paródias de músicas famosas, aulas interativas e explicações em forma de dramaturgia são alguns dos conteúdos que compõem o Youtube EDU, um espaço dentro do YouTube que seleciona e agrega vídeos sobre educação feitos por professores brasileiros. Para saber mais sobre o YouTube Edu e como fazer parte dessa rede de educadores, é só assistir ao tutorial Como participar do YouTube Edu.  

Organização, títulos e visual para um canal no YouTube

Em um dos diversos workshops que compuseram o evento, a conversa girou em torno de como se destacar no YouTube e aumentar o público e o impacto nas redes sociais, com dicas das EDUtubers Carina Fragozo, doutora em Linguística pela USP e autora do canal English in Brazil; Julia Jaccoud, formada em Matemática e conhecida como Matemaníaca; e Pamella Brandão, a prof. Pamba, do canal Redação e Gramática Zica.

Para a professora Carina Fragozo, é essencial manter o canal organizado com playlists para cada tema, e ter um vídeo que funcione como trailer de apresentação do professor youtuber e do conteúdo geral das aulas. Também é preciso focar na aba “sobre” e preenchê-la com o perfil e os links para outras redes sociais. Fragozo lembrou que o visual não pode ficar de lado: ter um banner com uma identidade visual replicada nos thumbs (imagens em miniatura) de cada vídeo facilita para o espectador reconhecer o conteúdo na página inicial do YouTube, na busca e no campo de sugestões da plataforma.

Outro ponto de destaque é o título de cada vídeo. “Ele tem que ser ‘procurável’ e atraente ao mesmo tempo”, afirmou. Para conteúdo educacional, títulos com listas, erros comuns, desafios, o que não fazer, assuntos do momento ou cobrados em provas, resoluções de questões e sequências de temas geram mais cliques. Sobre as descrições dos vídeos, a professora destacou a necessidade das palavras-chaves para a busca e um texto curto, de no máximo um parágrafo, abordando os tópicos trabalhados. Sempre é bom inserir em todas as descrições um textinho padrão sobre o autor/canal e os links para as redes do professor. 

Carina Fragozo, do canal English in Brazil, dá dicas para bons títulos dos vídeos 

Engajamento e a importância de outras redes

Continuando o workshop, Pamella Brandão lembrou a razão para o sucesso do YouTube e de outras redes como o Facebook e o Instagram: “pessoas gostam de ver pessoas”. Por isso, ela reforçou a importância de cada professor EDUtuber cativar o público e usar as mídias sociais para fidelizar o seguidor. Pamba ressaltou que o número de inscritos em um canal não é o mais importante e sim o engajamento gerado em cada vídeo, medido pela quantidade de pessoas que marcam “gostei” ou “não gostei”, deixam comentários ou compartilham. A maior dica da educadora para aumentar o engajamento é não esquecer que você, o dono do canal, também é uma pessoa e o seu público se interessa pela sua vida, além do conteúdo educativo. As redes sociais aproximaram os professores dos alunos e as experiências reais são parte dessa aproximação.

Porém, é sempre bom manter uma diversidade de assuntos nas suas outras redes. “O inesperado faz com que o seu público não te silencie”, afirmou Pamella, que incentiva os colegas a saírem da zona de conforto. Para o Instagram, as dicas de Pamba são tomar cuidado para não saturar os seus seguidores com muito conteúdo, usar hashtags também nos stories e sempre variar as hashtags das publicações já que o algoritmo da rede social tende a priorizar os conteúdos que não repetem os mesmos termos.

Gestão de tempo e os diferentes públicos

No YouTube é possível encontrar canais de professores de todas as regiões do Brasil e alguns deles foram convidados a participar de um workshop sobre a comunidade de EDUtubers com a coordenadora executiva do YouTube Edu, Adriana Cohen. Noslen de Oliveira, de Língua Portuguesa; Angela Pereira Correia, de Matemática; e Henrique Litaiff, do canal Lógica Online, compartilharam experiências em uma roda de conversa que abordou a gestão de tempo do educador e os desafios para alcançar alunos com acesso restrito à internet.

Angela, que busca desmitificar a Matemática, falou sobre a importância de delegar as responsabilidades do canal e de se manter organizada para conciliar o trabalho em sala de aula com a produção de vídeos e os momentos em família. Para ela, ter uma rotina com o tempo determinado para cada tarefa ajuda a otimizar a produção sem deixar de lado outras responsabilidades.

Henrique Litaiff lembrou que as realidades de acesso à internet no nosso país, e mesmo na cidade do Rio, são bem distintas. O educador do Amazonas contou que muitas vezes salva as aulas em um pen drive e o envia pelo correio para alunos que não podem acessar seu canal. Com essa situação em mente, ele sugeriu que os educadores permitam o download de seus vídeos no YouTube para que, dessa forma, mais pessoas possam chegar ao conteúdo.

Roteiro para conquistar o público

Como transformar uma ideia em conteúdo? Para falar sobre roteiro e pré-produção de vídeos, a jornalista e professora Tatiany Leite, do canal Vá Ler um Livro, e o jornalista Thiago Gomide, do canal Tá na História e da MultiRio, conversaram com os educadores sobre a organização das ideias e a importância de ouvir os alunos.

Tatiany Leite, do canal Vá Ler um Livro, e o jornalista Thiago Gomide, do Tá na História e da MultiRio, falaram sobre roteiro

O bate-papo começou com a professora Taty Leite pontuando a necessidade de roteirizar os vídeos. “Fazer um roteiro é importante para organizar as nossas ideias e para que os outros entendam a mensagem que nós queremos passar”, contou. Uma das dicas é pensar no início do roteiro como um gancho e tentar captar a atenção do público nos primeiros seis segundos do vídeo, quando o usuário vai decidir se é aquilo que ele está procurando ou não. Por isso é importante conquistá-lo rapidamente. Após esse primeiro momento, o roteiro passa a apresentar o tema com mais calma, fazendo uma pergunta ou relatando um exemplo como forma de introduzir o conteúdo que será entregue na parte final do vídeo, com a conclusão da explicação ou a resolução da questão proposta.

O jornalista Thiago Gomide lembrou que é indispensável ouvir o que os alunos espectadores têm a dizer sobre as aulas e, a partir desse feedback, avaliar a produção e adaptar as sugestões para entregar um conteúdo mais próximo da audiência. Usando a série Tempo de Estudar – História como exemplo, Gomide pontuou a possibilidade de utilizar o cenário como elemento. “É sempre bom aproveitar o cenário para interagir e inserir elementos que complementam o seu vídeo. Brincar com diferentes figurinos e ocupar lugares que fogem da sala de aula deixam o conteúdo dinâmico”.

Novidades e dicas finais sobre o YouTube

Antoine Torres, responsável pelo setor de Parcerias Estratégicas de Educação do YouTube na América Latina, em uma conversa com os professores, acompanhado pela gerente Clarissa Orberg, comentou algumas novidades que estão para chegar aos criadores brasileiros, como a aba “Comunidade”, na qual os autores dos canais poderão publicar conteúdos além dos vídeos, como fotos e textos, e abrir enquetes para interagir com os seguidores.

Quando perguntados sobre o que faz um vídeo ser visto, os dois palestrantes foram decisivos: “é um conjunto de título, conteúdo do vídeo, tags, descrição e miniatura”. Tudo precisa ser feito com atenção para tornar o seu conteúdo mais atraente para o público. O executivo concluiu as conversas lembrando que a melhor dica para os educadores é não se comparar com grandes canais. “É importante se avaliar dentro do seu canal e considerar o que você pode melhorar, baseado nos seus vídeos mais vistos e no que deu certo para você, para a sua produção e para a sua audiência”, pontuou.

A MultiRio também está no YouTube, você pode se inscrever no nosso canal e acompanhar as produções da Empresa. É só clicar aqui: https://www.youtube.com/user/MULTIRIOSME

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