25 Outubro 2018
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premio 7CRE
Todas as unidades que inscreveram projetos foram homenageadas. Na foto, as escolas da 7ª CRE. Alberto Jacob Filho, 2018

A Escola de Formação Paulo Freire (EPF) realizou, na quinta-feira (23), um grande evento, na Sala Baden Powel, em Copacabana, para celebrar os projetos das 92 escolas inscritas no concurso Práticas de Aprendizagem Socioemocional. O objetivo do certame foi estimular e divulgar as práticas pedagógicas que ajudam alunos e demais membros da comunidade escolar a lidar melhor com os conflitos e desafios das interações cotidianas.

“O ambiente da escola precisa ser um refúgio, um lugar onde o aluno se sinta acolhido e valorizado. O respeito ao próximo é fundamental e, por isso, todos precisamos desenvolver habilidades que favoreçam as interações, o que impacta positivamente o desempenho acadêmico e ainda solidifica a cidadania”, disse Marisangela Siqueira de Souza, diretora-adjunta da EPF, na abertura do evento.

Unidades e projetos

Entre as 92 escolas inscritas no concurso, cinco foram eleitas destaques por uma banca que reuniu profissionais da Secretaria Municipal de Educação (SME), do Instituto Trevo e da EPF. A escolha se baseou em critérios pedagógicos, de facilidade de replicação do trabalho e no foco na educação socioemocional. As cinco unidades destacadas foram o Ciep Anton Makarenko (6ª CRE), E.M. Barão da Taquara (7ª CRE) , C.M. Flora Santina Ferrari Braz (9ª CRE), E.M. Odilon Braga (4ª CRE) e E.M. Rosa do Povo (7ª CRE).

premio Anton Makarenko
Equipe do Ciep Anton Makarenko, uma das cinco escolas de destaque. Alberto Jacob Filho, 2018, MultiRio

Entre essas unidades, a E.M. Anton Makarenko, localizada em Costa Barros, apresentou o projeto Gentileza Gera Gentileza, iniciado com os alunos do 5º ano e que acabou contagiando a todos. “Nossa comunidade está cheia de episódios violentos. Os alunos acabam levando isso para dentro da escola. Replicam a cultura de resolver tudo na base da agressão”, explicou a professora Élida do Nascimento, da Sala de Leitura.

Quando, em julho, ela fez o curso de Educação Socioemocional na EPF e conversou com a equipe da escola sobre o que tinha aprendido, a professora Kelly Moreira, do 5º ano, deu a ideia de trabalharem a gentileza. “Começamos, então, a desenvolver ações pedagógicas relacionadas ao tema com nossas turmas. Perguntamos aos alunos quais eram as práticas da amabilidade, da delicadeza, do respeito... Anotamos e, a cada dia, passamos a exercitar uma delas, mostrando a importância do controle emocional”, contou Geruza Braga, também professora do 5º ano. Hoje, o projeto já transbordou para toda a escola. “Até temos um aluno, o Kauã, que fez a inscrição ‘Gentileza Gera Gentileza’, na quadra de bailes da comunidade”, contou Élida, da Sala de Leitura.

Durante o evento, a diretora-adjunta da EPF fez questão de frisar que os trabalhos apresentados pelas 92 escolas eram interessantes. “Por isso, quisemos tanto fazer essa celebração com todos vocês”, disse Marisangela à plateia, repleta de diretores, professores e representantes das CREs.

A E.M. Churchill (8ª CRE), localizada em Magalhães Bastos, por exemplo, não estava entre os destaques. Seu projeto era sobre respeito à diversidade religiosa. “Optamos por esse assunto porque percebíamos que havia alunos com preconceito a algumas crenças e um deles iria frequentar a escola paramentado porque tinha feito uma iniciação na Umbanda. Para não haver problemas, passamos a articular conteúdos sobre a história das religiões e realizamos debates com uma mãe de santo, um diácono católico e um pastor evangélico”, explicou a professora Sueli Maria de Menezes, do 6º ano experimental.

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Marisangela Siqueira de Souza, diretora-adjunta da EPF. Foto Alberto Jacob Filho, 2018, MultiRio

Em reconhecimento aos bons projetos que não ganharam destaque, os representantes das CREs e suas escolas foram chamados, um a um, ao palco. “Quando falamos em educação socioemocional, é para toda a rede municipal, a fim de investirmos em interações mais saudáveis, inclusive entre as equipes de todos os níveis: do central às unidades escolares. Com esse espírito, termino minha fala com uma frase de Gabriel García Márquez: Nessa vida aprendi que um homem só tem direito de olhar um outro de cima para baixo, para ajudá-lo a levantar-se”, concluiu Marisangela.

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