13 Março 2020
0
0
0
s2sdefault
 
A E.M. Albert Einstein (7ª CRE), na Barra da Tijuca, honra o patrono tendo a ciência como um de seus focos de aprendizagem (foto: arquivo Renée Turin)

Em 14 de março, comemora-se o nascimento do físico alemão Albert Einstein. Ele nasceu em Ulm, 1879, e, aos 26 anos, estabeleceu novos paradigmas para entendermos o mundo no qual vivemos. A Rede Pública Municipal de Ensino do Rio de Janeiro possui duas unidades batizadas para homenageá-lo – uma escola e um núcleo de arte, ambos na 7ª CRE, na Barra da Tijuca.

Em 2019, na festa de 40 anos da E.M. Albert Einstein, os estudantes do 7º, 8º e 9º anos pesquisaram sobre a vida do patrono e, inspirados no gosto que o cientista possuía pelo violino, realizaram uma apresentação musical teatralizada com o instrumento e informações sobre sua vida e obra. “A escola tem dois pontos fortes que coincidem com a vida de Einstein – ciência e música”, explica a coordenadora pedagógica, Renée Turin.

“A biografia de Einstein pode ser uma forma de aproximá-lo dos estudantes”, disse Claudio Elias da Silva, físico pela UERJ e Presidente da MultiRio. “Os pais de Einstein achavam que ele tinha algum problema porque não falava aos 3 anos de idade; na escola politécnica, com exceção de Física e Matemática, era um aluno abaixo do padrão, estava longe de ser o aluno nota 10; teve dificuldade em encontrar seu primeiro emprego. Mas sempre estudou muito o que gostava e tornou-se um cientista criativo, tinha imaginação fértil, discutia ciência fazendo propostas que incomodavam colegas dele. Einstein colocava questões que não tinham resposta. Esse perfil pode atrair a curiosidade dos estudantes do Ensino Fundamental e aproximá-los da Ciência de uma forma geral”, completou Claudio Elias.

Para Leandro Guedes, diretor de Astronomia da Fundação Planetário, pode ser uma boa ideia para os professores de Ciências do Ensino Fundamental abordar noções da Teoria da Relatividade com seus alunos. “Parece extremamente complexo, mas pode ser atraente. Os estudantes vão gostar de ter contato com o conceito e podem entendê-lo”, defendeu Leandro.

Albert Einstein, no início da década de 1920, época em que recebeu o prêmio Nobel pela explicação do efeito fotoelétrico (foto: Harris & Ewing, em domínio público)

O  astrônomo explicou que “Einstein modificou a visão que temos do mundo, o modo como enxergamos o universo. Antes da Teoria da Relatividade, era como se as coisas acontecessem dentro de um palco vazio. Tempo, espaço e matéria eram independentes nessa concepção. A partir de Einstein, compreendemos que o espaço tem estrutura. Trata-se da relação espaço-tempo. O espaço e o tempo interagem e sofrem influência da matéria e da velocidade”.

“Na vida cotidiana, é difícil perceber, mas um pequeno exemplo prático ajuda a compreender. Graças à nova percepção trazida por Einstein, atualmente, o tempo dos satélites é corrigido para que case com o tempo do GPS dos celulares. Se isso não fosse feito, o GPS não guardaria a posição dos celulares de forma correta porque o tempo passa de forma diferente no espaço e na superfície da Terra”, conta Leandro.

Prêmio Nobel 

Em 1921, Einstein recebeu o Nobel em Física graças à explicação que deu para o efeito fotoelétrico - quando uma radiação, como a luz, bate em um material metálico, partículas saltam desse metal em forma de energia. No entanto, a sua maior contribuição à ciência foi a Teoria da Relatividade.

Tanto a Teoria da Relatividade quanto a explicação do efeito fotoelétrico foram publicadas em uma revista científica de prestígio na época, a Annalen der Physik, em 1905.

Além desses dois artigos, Einstein ainda escreveu mais outros dois no mesmo ano para a revista. Esses quatro artigos mudaram os paradigmas que nos permitem conhecer melhor o mundo no qual vivemos. Em um deles, Einstein escreveu sobre o movimento Browniano e concebeu uma das equações mais famosas da Física, E=mc², ou seja, energia é igual à massa multiplicada pela velocidade da luz ao quadrado.

“O movimento Browniano foi descoberto pelo botânico Robert Brown, analisando o movimento de pólens, que aparentemente se dava de forma aleatória. Einstein usou a descrição de Brown para explicar o movimento de átomos e moléculas, que ainda não estava claro”, esclarece o físico Claudio Elias.

“Trabalhos inéditos, no sentido de que não havia outros nos quais pudesse se apoiar diretamente, foram a Teoria da Relatividade e a relação massa e energia. A Teoria da Relatividade teve grande impacto na comunidade científica, gerando grandes discussões, porque propõe um jeito novo de encarar o mundo físico, os fenômenos físicos. O que vigorava até então era a Física de Isaac Newton, a mecânica clássica, do século XVII. Newton explicou o movimento dos corpos com massa. Newton fala do tempo absoluto. O estudo do movimento clássico responde às nossas questões sobre o movimento dos corpos e foi usado até mesmo para o lançamento de satélites. A mecânica clássica responde precisamente às questões do cotidiano. Todo o trabalho de engenharia é construído com a Física clássica. As Leis de Newton eram inquestionáveis até Einstein. A partir daí, a teoria de Newton continua válida somente quando usamos padrões de baixa velocidade, velocidades cotidianas. Mesmo os 300 km por hora de um carro de fórmula 1 se enquadra nisso. Dentro dos padrões físicos é uma velocidade pequena,  mas, se levarmos em conta a velocidade da luz, que é de 300 mil km por segundo, precisamos das teorias de Einstein”, contextualiza Claudio Elias.

Ano miraculoso

O ano de 1905 é considerado um annus mirabilis (ano miraculoso) por causa desses quatro artigos publicados por Einstein. Essa expressão em latim significa que, no período indicado, houve grande desenvolvimento do conhecimento.

Quando submeteu seus artigos para publicação, Einstein trabalhava como examinador de 3ª classe na Repartição de Patentes de Berna, capital da Suíça e era casado com Mileva Maric, colega de turma na ETH – o Instituto Federal de Tecnologia de Zurique (um dos melhores da Europa Central). O primeiro filho do casal nasceu em 1904 e o segundo, em 1910. Na verdade, o casal Einstein e Mileva havia tido uma filha antes de formalizarem o casamento, na época de estudantes. Pesquisadores acreditam que a menina tenha sido dada em adoção.

Professor universitário

Em 1909, Einstein recebeu o primeiro doutoramento honoris causa, pela Universidade de Genebra (nos anos seguintes, houve dezenas de honrarias similares), e conseguiu seu primeiro emprego universitário permanente como Professor Assistente de Física Teórica da Universidade de Zurique, na Suíça.

Einstein, 1947 (domínio público)

Aos 34 anos, em 1913, Einstein recebeu a visita do renomado físico Max Planck,  convidando-o a ser membro da Real Academia de Ciências da Prússia e diretor do departamento de pesquisa do Instituto Kaiser Wilhelm, em Berlim.

Em 1917, Einstein e Mileva separaram-se e o físico se casou com uma prima, chamada Elsa Löwenthal, com quem permaneceu até ela morrer em 1936. Em 1921, Einstein ganhou o Prêmio Nobel de Física pela Lei do Efeito Fotoelétrico.

Nazismo força ida para os EUA

Em janeiro de 1933, Hitler é eleito para o cargo de chanceler. Meses depois, tropas de choque (as S.A.) revistaram o apartamento de Einstein em Berlim e a casa de campo, em Caputh (pequena aldeia perto de Berlim), alegando a busca por armas de pretensos militantes comunistas. Nada foi encontrado. Berlim não era mais um local seguro para alguém de família judia, como Einstein.

Em outubro de 1933, Einstein mudou-se para os EUA e começou a dar aulas na Universidade de Princeton, onde permaneceria trabalhando até a sua morte, em 18 de abril de 1955.

Relacionados
Mais Recentes