03 Junho 2014
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DalvaBDesde 2007, o Programa Estrela Dalva tem sido um ótimo trampolim na vida de alunos com altas habilidades, matriculados na Rede Municipal de Ensino do Rio e cujas famílias tenham baixo poder aquisitivo. Atualmente, uma média de 60 alunos do 4º e 5º anos têm a oportunidade de participar do projeto no contraturno das aulas, com o objetivo de tentar vaga em um colégio de excelência (Pedro II, CAp Uerj e Militar). A taxa de aprovação gira em torno de 90%.

A coordenadora Monica Somm Rivera explica como funciona o processo. Nos meses de setembro e outubro, a Secretaria Municipal de Educação autoriza a equipe do Programa Estrela Dalva a ir às escolas para testar turmas inteiras em raciocínio lógico. Em seguida, os mais bem colocados fazem provas de Língua Portuguesa e Matemática e, por fim, uma entrevista junto com a família.

“Já que nossa sede fica no Centro, por questões de deslocamento, participam apenas da 1ª à 4ª CRE.” No primeiro ano de trabalho, além do estudo intensivo de Língua Portuguesa e de Matemática, é feito um investimento no enriquecimento cultural e acadêmico das crianças, por meio de visitas a locais como a Casa da Ciência da UFRJ e a Biblioteca Nacional. O segundo ano fecha o foco dos alunos com um curso preparatório para prestar concursos. É quando acontece a visita guiada ao campus da PUC-Rio.

“As crianças ficam encantadas. Até então, elas não faziam ideia do que fosse uma universidade. Queremos contribuir para que tenham condições de frequentar o Ensino Superior, fugindo do destino de parar no Ensino Médio para ir trabalhar.” Sob o ponto de vista social, Monica afirma que muitas vivem numa situação difícil. “Na faixa dos 9, 10 anos, elas ainda não têm como avaliar a importância desses dois anos de dedicação. Para dar certo, além da criança, a família tem que querer. O máximo de empenho é quando a mãe deixa o trabalho para vir até aqui e fica quatro horas esperando pela criança, diariamente.”

Os vínculos criados pelo Programa Estrela Dalva estão longe de terminar ao fim dos dois anos de contato diário. Além de a biblioteca e o laboratório de informática continuarem abertos para os alunos e suas famílias, eles ganham bolsa de estudos e material para o curso completo de seis anos da Sociedade Brasileira de Cultura Inglesa. Em 2014, também estão sendo oferecidas quatro oficinas para ex-alunos do 7º ao 9º ano: Mecânica, Animação, Direito e Arquitetura. Nas festas de fim de ano, a força dos laços afetivos se acentua.

“Maria Clara Sodré, que é superintendente do Estrela Dalva, foi mentora do Projeto Ismart. Alguns dos alunos de lá já estão no Mestrado ou Doutorado. Eles costumam vir contar para as nossas crianças como é estudar numa universidade pública, estimulando a continuar firme nos estudos. O que a gente constrói, na verdade, é uma cadeia do bem.” Segundo Monica, é relativamente frequente a incidência de irmãos selecionados pelo Estrela Dalva. “No momento, temos dois pares de gêmeas.”

Programas para o desenvolvimento humano

Nos últimos 15 anos, o Instituto Rogério Steinberg (IRS) tem auxiliado a educação de crianças e adolescentes com altas habilidades, mas consideradas socialmente vulneráveis. Eles são oriundos tanto de instituições beneficentes de ensino quanto da Rede Municipal do Rio de Janeiro. O Programa Despertando Talentos, que funciona dentro das escolas, beneficiou 1.031 alunos até 2013, dos quais 704 da Rede. “Olheiros” autorizados dão aula de Música, Informática, Teatro e outras atividades, pelas quais vão descobrindo quem se destaca.

Dalva5Os aprovados nos testes são admitidos no Programa Desenvolvendo Talentos, que acontece no próprio Instituto, no contraturno da escola regular. Entre 2001 e 2013, passaram por ele 850 alunos. São oferecidos dois tipos de oficinas. As Oficinas Norteadoras se subdividem em três: Oficina de Criação, dedicada à imaginação, criatividade e leitura, com quatro anos de duração, dependendo da idade da criança no ingresso; Oficina de Empreendedorismo; e Oficina de Orientação Profissional. As duas últimas têm duração de um ano cada. Já o segundo grupo são as Oficinas de Talentos Específicos: Música, Teatro, Artesanato, Jornal e Dança. Com tantas possibilidades, no IRS é possível ingressar aos 7 anos e sair só aos 18.

Em 2006, começou um curso preparatório que, até o ano passado, tinha atendido 313 alunos no aprimoramento do desempenho acadêmico, de olho no concurso do Colégio Pedro II, Faetec e outras instituições de referência. O foco é na passagem do 4º para o 5º ano e do 8º para o 9º ano. Os superdotados do IRS também recebem bolsas de estudos na Cultura Inglesa, no Ibeu e no Instituto de Tecnologia Ort, um colégio particular que oferece o Ensino Fundamental e o Ensino Médio. Em 2014, o IRS está atendendo 203 participantes, por meio de sua mantenedora e de uma série de apoiadores, como o Criança Esperança. Além disso, o Instituto ainda conta com uma campanha de apadrinhamento de pessoas físicas, que fazem doações mensais. 

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