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Escolas tombadas contam a história da educação pública
SÉRIE
Arquitetura das Escolas Municipais
16 Novembro 2015 | Por Márcia Pimentel
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Impossível apresentar o Rio de Janeiro sem mostrar as construções e paisagens urbanas que se tornaram referências vivas na memória do carioca. É o caso, por exemplo, do Cristo Redentor, do Pão de Açúcar, da Floresta da Tijuca, dos Arcos da Lapa e do Museu de Arte Moderna, entre outros. Integram esse patrimônio cultural da cidade 101 Cieps e 45 escolas tombadas da Rede Municipal – um verdadeiro acervo arquitetônico que ajuda a narrar a história dos projetos pedagógicos da educação pública no país.

ESCOLAS-TOMBADAS-RIVADAVIA-CORREA3Quatro dessas escolas municipais tombadas – Gonçalves Dias e Rivadávia Corrêa, da 1ª CRE, e Luiz Delfino e Senador Corrêa, da 2ª CRE – têm construções datadas do tempo do Império, no período pós-Guerra do Paraguai, quando o movimento de difusão da instrução primária ganhou novo impulso no país.

Na época de suas inaugurações, ficaram conhecidas como “Escolas do Imperador” – com exceção da Senador Corrêa. Isso porque a grande quantia arrecadada para construir uma estátua de dom Pedro II, em homenagem à vitória na Guerra do Paraguai, foi revertida, a pedido do próprio imperador, para a construção das unidades de ensino.

Das “Escolas do Imperador”, a mais imponente é a E.M. Rivadávia Corrêa, inaugurada em 1877 com o nome de Escolas Primárias da Freguesia de Sant’Anna. O prédio foi projetado pelo engenheiro Pereira Passos, 25 anos antes de ele se tornar prefeito da cidade, e destinava-se ao ensino de meninos e meninas. No final dos anos 1920, o colégio ganhou um anexo de cinco andares, mas sem sintonia arquitetônica com o primeiro.

Do conjunto das “Escolas do Imperador”, a E.M. Luiz Delfino tem a história mais peculiar. Zé Índio, ex-escravo que aprendeu a ler e escrever, fundou, em 1861, uma escola para ensinar “a cartilha e as matemáticas” aos filhos dos cativos da fazenda da família Pereira da Silva, localizada na Gávea. Inicialmente, o alpendre da casa grande servia de sala de aula, mas, em 1870, quando ele faleceu, as classes já funcionavam no endereço atual da escola. Contudo, o prédio, hoje tombado, só foi construído em 1874, tendo sido entregue à Irmandade Nossa Senhora da Conceição. Em 1922, em homenagem ao médico e senador da República, a escola passou a se chamar Luiz Delfino.

O advento da República

Foi a partir da proclamação da República que a universalização dos direitos, o acesso à educação, a formação da mão de obra, a adoção de hábitos de higiene e de civilidade e muitos outros temas entraram em pauta no país. Apagar a imagem do atraso, vinculado ao passado ESCOLAS-TOMBADAS-EVANGELINA-DUARTE4colonial, era um objetivo ansiado. O Brasil de então era um dos líderes mundiais de analfabetismo, e a construção de prédios monumentais para abrigar as escolas tinha a finalidade simbólica de sinalizar para o mundo o papel que o sistema de ensino deveria cumprir dentro do projeto republicano.

Do ponto de vista arquitetônico, a inspiração nos vários estilos europeus tentava mostrar os rumos civilizatórios que o país deveria tomar: os motivos renascentistas, góticos, neoclássicos e as novas tendências estéticas do Velho Continente, como o art nouveau, acabavam se misturando e compondo um estilo eclético. A E.M. Evangelina Duarte Batista (5ª CRE), inaugurada em 1913 para atender os filhos dos trabalhadores da Vila Operária de Marechal Hermes, é um exemplo de arquitetura eclética.

Na década seguinte, a busca por uma identidade nacional começou a entrar na ordem do dia do país. A Diretoria de Instrução Pública do Distrito Federal passou a implementar, a partir de 1926, uma política com características ESCOLAS-TOMBADAS-EUA2nacionalistas que valorizava o passado luso-brasileiro (com suas fortes influências hispânicas). As novas escolas públicas, a maioria construída em bairros populares, ganharam um estilo neocolonial, com arcos, varandas e mapas em azulejos, ornados com índios e com motivos da flora e da fauna brasileiras. A E.M. Estados Unidos (1ª CRE), no Catumbi, inaugurada em 1930, é um dos exemplos dessa fase.

Durante o governo de Getúlio Vargas, a Escola Carioca de Arquitetura Moderna Brasileira, liderada por Lúcio Costa, começou a ganhar força. O primeiro grande projeto desses arquitetos foi a construção da sede do MEC, na Avenida Graça Aranha: o Palácio Gustavo Capanema. Com o fim da Segunda Guerra Mundial, o sistema educacional se ampliou e várias escolas de estilo modernista foram inauguradas nas áreas mais populares da cidade. A E.M. Edmundo Bittencourt (1ª CRE), construída para atender os filhos dos moradores do Conjunto Pedregulho, em Benfica, é o exemplo mais paradigmático desse momento da educação pública da cidade, com painéis assinados por Portinari, Anísio Medeiros e Burle Marx.

ESCOLAS-TOMBADAS-edmundo-bittencourt2Ainda pertencem ao grupo de escolas tombadas da Rede Municipal várias unidades que tiveram suas sedes recicladas e cuja época de construção é variada. A inauguração do prédio da E.M. Celestino da Silva (1ª CRE), no Centro, por exemplo, ocorreu em 1890, mas não para abrigar um colégio, e sim o Teatro Apollo. Da mesma forma, a E.M. Minas Gerais (2ª CRE), na Urca, foi construída para sediar, em 1908, a Exposição Nacional, que comemorava o centenário da abertura dos portos às nações amigas.

Em 2010, a Prefeitura tombou os 101 Cieps da cidade. O projeto arquitetônico dos Centros Integrados de Educação Pública é assinado por Oscar Niemeyer e reflete a proposta de educação pública integral de Darcy Ribeiro.

 
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