25 Junho 2021
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Floresta Amazônica (foto: Andre Deak, Flickr, CC)

Reconhecer a biodiversidade como uma das riquezas de nosso pais é um dos objetivos do currículo da Rede Carioca de Ensino.

O tema deve ser abordado desde os anos iniciais, como orienta a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), de modo que no 9º Ano os adolescentes tenham as seguintes habilidades: justificar a importância das unidades de conservação para a preservação da biodiversidade e do patrimônio nacional; reconhecer o papel ativo de cada indivíduo como destruidor ou protetor da biodiversidade; propor iniciativas individuais e coletivas para a solução de problemas ambientais da cidade ou da comunidade.

Além disso, a 7ª competência geral para a Educação Básica da BNCC aponta para o desenvolvimento da consciência socioambiental, com posicionamento ético em relação ao cuidado de si mesmo, dos outros e do planeta.

As professoras Isabela Gonçalves e Girlaine Silva, da Rede Pública Municipal de Ensino do Rio de Janeiro gravaram uma aula sobre o tema para a programação do Rioeduca na TV, voltada para o 8º Ano de Ciências. Elas caracterizaram o bioma Amazônia em relação à paisagem, à quantidade de água, à disponibilidade de luz solar e temperatura. Mostraram também a flora e a fauna locais.

Isabela e Girlaine indicaram na videoaula que a capacidade de discutir os problemas ambientais atuais estão entre as habilidades a serem desenvolvidas com os últimos anos do Ensino Fundamental. A partir do trabalho realizado, espera-se que os estudantes tenham condições de identificar quem os causa, suas consequências e quais são as medidas necessárias para minimizar e impedir a degradação do ecossistema. Segundo as professoras, isso pode ser feito por meio de notícias sobre o tema.

O documentarista João Moreira Salles dedicou dois anos de pesquisa e cinco meses de apuração na região Norte do Brasil para escrever uma série de reportagens sobre a Amazônia que procuram demonstrar a importância da floresta e o que está em jogo no Brasil, tanto em relação à sua preservação quanto em relação ao desmatamento. O material aproxima do conhecimento geral uma floresta que muitas vezes parece intransponível e distante. Veja a seguir alguns destaques do dossiê, disponível de forma gratuita na internet.

O que é a Floresta Amazônica?

A Floresta Amazônica possui a maior concentração de vida do planeta – uma em cada dez espécies conhecidas no mundo vive lá. O bioma ocupa 49% do território brasileiro e abrange nove estados: Amazonas, Pará, Tocantins, Acre, Amapá, Roraima, Rondônia, Mato Grosso e parte do Maranhão.
A Amazônia produz 20% da água doce do planeta. Todos os dias, lança na atmosfera, via transpiração das árvores, uma quantidade maior de água do que a do Rio Amazonas.

No entanto, apesar de toda essa abundância, entre os 20 municípios com maior IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do Brasil, nenhum está na Amazônia. Já entre os 20 piores IDHs municipais, 15 estão na região amazônica, de acordo com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento - PNUD (dados dos censos 1991, 2000 e 2010).

Uma floresta tropical é essencialmente uma cadeia de interdependências. A floresta não tira a maior parte dos nutrientes de que necessita do solo (arenoso e muito pobre), mas da serrapilheria – a camada de matéria orgânica que cai das próprias árvores - folhas, ramos, flores etc.
Também há vida no subsolo. A ecologista canadense Suzanne Simard demonstrou na década de 1990 a estreita colaboração entre fungos e plantas nos subterrâneos de uma floresta.

Diferentes tipos de matas formam o bioma Amazônia. São eles: mata de igapó, de várzea e de terra firme (trecho de aula do Rioeduca na TV)

Segundo o biólogo norteamericano Edward O. Wilson a diversidade biológica ou biodiversidade é a chave da preservação do mundo como o conhecemos. Quando devastamos uma determinada área, mesmo que ela seja revitalizada, não terá mais a complexidade da vida original.

Bioeconomia

"Existe no Brasil pesquisa relacionada ao manejo florestal, a ciclos hídricos, à biodiversidade. O maior problema é que o desenvolvimento de uma economia da floresta é modesto e é recente. Falta o lado indutor do Estado”, disse Milton Kanashiro, engenheiro florestal responsável pelo portfólio Embrapa Amazônia Oriental, que foi criada em 1975 e é sediada em Belém.

No caso da soja, por exemplo, originária de climas temperados, houve ciência e apoio governamental para adaptá-la ao clima brasileiro. O agronegócio contou com as pesquisas da Embrapa, o crédito subsidiado dos bancos públicos e o interesse dos governantes pelo setor agrícola por quarenta anos para que o Brasil se tornasse o maior produtor mundial do produto.

Kanashiro estuda processos de recuperação de áreas degradadas e investiga o potencial econômico de florestas naturais e florestas plantadas. "Sendo otimista, a gente conhece no máximo trezentas espécies”, disse o pesquisador a João Moreira Salles no Dossiê Arrabalde. Estima-se que existam, pelo menos, 16 mil espécies de árvores na Amazônia.

Atualmente, há diversos fazendeiros na região amazônica que se dedicam ao plantio de árvores com fins comerciais. Nenhuma das espécies usadas é nativa da região. São exemplos, a teca (do sudeste asiático), o eucalipto (das ilhas da Oceania) e o pinus (pinheiro, originário dos Estados Unidos).

Se em vez de permanecer devastando em busca de lucro rápido e efêmero, os homens se estabelecem em um local e procuram tirar dali seu sustento, é possível uma melhor qualidade de vida, como mostrou a reportagem de João Moreira Salles em levantamentos feitos em municípios como Paragominas (combateu o desmatamento e tornou a pecuária mais eficiente) e Tomé-Açu (agrofloresta), ambos no Pará.

Um campo novo e ainda em discussão para a bioeconomia é a possibilidade dos países e grandes corporações pagarem por serviços ecossistêmicos, como a captura de carbono e a biodiversidade. Bernardo Strassburg, professor de Geografia e Meio Ambiente da PUC-Rio e fundador do Instituto Internacional para a Sustentabilidade, acredita que o mundo está disposto a pagar por esses serviços que a Floresta Amazônica oferece simplesmente por existir.

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