04 Novembro 2019
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A partir da esquerda: José Marcos Couto, diretor da E.M. Ivone Ferreira Nunes (8ª CRE); Claudia Vargas, professora do Colégio Pedro II; Márcia Silva, professora da E.M. Alberto José Sampaio (6ª CRE); Renata Corrêa, gerente de assuntos educacionais do IBGE; Tatiana Miranda, pedagoga do IBGE; Luciana Cortes, da Escola de Formação Paulo Freire; Juliana da Silva, professora da E.M. Presidente João Goulart (2ª CRE), Thiago Fortunato, da Escola de Formação Paulo Freire; Luiz Eduardo Ricon, assessor da Diretoria de Mídia e Educação da MultiRio, e Rodrigo Fontes, professor da E.M. Mealhista Olímpica Mayra Aguiar da Silva (9ª CRE). Foto: Alberto Jacob Filho

O 4º Seminário IBGE de Portas Abertas para a Escola reuniu no dia 30 de outubro, no auditório do instituto, professores e estudantes de pedagogia para conhecerem práticas pedagógicas inovadoras e transformadoras. Entre os palestrantes, havia cinco da Rede Pública Municipal de Ensino do Rio de Janeiro, uma do Colégio Pedro II, além de representantes do próprio IBGE e da MultiRio.

Gamificação em Geografia

Juliana da Silva, professora de Geografia na E.M. Presidente João Goulart (2ª CRE), no Andaraí, mostrou como tornou as aulas de sua disciplina mais atraentes por meio de jogos. “O primeiro desafio foi pessoal, porque precisei pesquisar o método e replanejar meu modo de dar aula. No início, nem tudo dá certo e é preciso corrigir rotas. Mas o resultado é recompensador, os estudantes ficam interessados e aprendem mais”, explicou a professora.

O “PowerGeo” (como a professora denominou as aulas) tem uma dinâmica diferenciada. Para aprender sobre paisagem natural e humanizada, por exemplo, Juliana montou quebra-cabeças com fotos do conteúdo coladas em papelão. Os alunos, em grupos de cinco, desembaralhavam as peças para formar a imagem, dizendo se era natural ou humanizada e o porquê.

Outra atividade é o queimado geográfico. A bola carrega uma pergunta e a pessoa na qual a bola acertou deve respondê-la. Se errar, considera-se fora do jogo e, se acertar, ganha ponto para o time. “A lógica do jogo – desafio, pontos, recompensas, missão, etc. instiga os estudantes a participarem ativamente do processo”, resume Juliana.

Juliana da Silva mostrou como tornou as aulas de Geografia mais atraentes usando a lógica dos games. Foto: Alberto Jacob Filho

Robótica

Os professores Thiago Fortunato (Matemática) e Luciana Cortes (Língua Portuguesa-Espanhol) trabalham, atualmente, na Escola de Formação Paulo Freire, no entanto apresentaram o projeto de robótica que desenvolveram em 2016 quando lecionavam na E.M. Celestino da Silva (1ª CRE), no Centro.

A escola estabeleceu uma parceria com uma empresa que forneceu a infraestrutura necessária, como roteadores. Usando a plataforma Arduíno, o aplicativo Scratch, leds e sensores, montaram o robô Silva, capaz de se movimentar e aferir a umidade relativa do ar e a temperatura ambiente. Conteúdos de diversas disciplinas foram aplicados nessa disciplina eletiva, como inglês para a leitura de manuais e Matemática. “Até mesmo um aluno que era retraído e pouco frequente às aulas tornou-se motivado com a robótica, chegando a ser monitor da eletiva”, contou a dupla. Thiago Fortunato participou de um programa da série #educa, da MultiRio, falando sobre o projeto.

Debates

Desde fevereiro, José Marcos Couto Júnior é diretor da E.M. Ivone Ferreira Nunes (8ª CRE), em Senador Camará, mas, antes desse novo cargo, obteve reconhecimento por seu trabalho na E.M. Átila Nunes (8ª CRE), em Realengo. O projeto As Caravanas: limites da visibilidade, do então professor de História, foi escolhido para o prêmio Educador Nota 10, entre 4.200 trabalhos inscritos. “Caravanas consistia em debater com os estudantes problemas presentes na escola e importantes para a comunidade, como racismo, homofobia e invisibilidade social, a partir de músicas de Chico Buarque e outros compositores”, resumiu José Marcos. Além da reflexão, os alunos produziram textos e também conheceram áreas da cidade e equipamentos culturais nunca antes visitados.

Água

Os professores de Geografia Rodrigo Fontes, da E.M. Medalhista Olímpica Mayra Aguiar da Silva (9ª CRE), em Campo Grande, e Márcia Silva, da E.M. Alberto José Sampaio (6ª CRE), na Pavuna, apresentaram trabalhos sobre os rios na cidade do Rio de Janeiro, mais especificamente o rio Campinho, que corta a Zona Oeste e deságua na baía de Sepetiba, e o rio Pavuna, ambos poluídos. Através do trabalho com o professor Rodrigo Fontes, Kauã Sobreira, 14 anos, do 8º ano da E.M. Medalhista Olímpica Mayra Aguiar da Silva, foi um dos 18 estudantes a participar da V Conferência Nacional Infantojuvenil pelo Meio Ambiente. O evento tem etapas local (escola), municipal, estadual e nacional.

Método investigativo

Claudia Vargas, professora de Ciências e Biologia do Colégio Pedro II, no campus de Realengo, desenvolve o que ela chama de ensino por investigação. “Vivemos em uma sociedade altamente tecológica, na qual as crenças pessoais, muitas vezes, estão se mostrando mais importantes do que os fatos e a ciência. Por isso, trabalho pelo letramento científico dos alunos, para que saibam reconhecer informações, buscá-las e usá-las”, define Claudia.

Tudo começa com uma pergunta ou problema, de maneira contextualizada para despertar a curiosidade e mostrar a relevância do tema. No caso do tema microorganismos e sua relação com a saúde humana e o ambiente, por exemplo, a professora usou o conto A Máscara da Morte Rubra, de Edgard Allan Poe. A partir daí, os alunos formularam hipóteses e buscaram confirma-las ou refutá-las por meio da leitura de textos de revistas, jornais e livros didáticos. Também desenvolveram experimentos, como a observação com microscópio, utilizando bactérias e desinfetante. Os alunos elaboraram uma conclusão para a investigação e a apresentaram de forma oral para os colegas e de forma escrita, individualmente, para a professora. Ao final do processo, os estudantes fizeram uma autoavaliação e a avaliação sobre as aulas. Toda a produção formou um portfólio final de cada estudante.

IBGE e MultiRio

Professores e estudantes de pedagogia estiveram presentes ao 4º Seminário IBGE de Portas Abertas para a Escola. Foto: Alberto Jacob Filho

A pedagoga Tatiana Miranda representou o IBGE e apresentou o site do instituto voltado para professores, jovens e crianças, com conteúdos confiáveis sobre o Brasil. O IBGE Educa é tanto um recurso útil para o professor preparar aulas quanto para estudantes em busca de informações sobre a população e o país.

Luiz Eduardo Ricon, assessor da Diretoria de Mídia e Educação da MultiRio, mostrou ao público os diversos materiais multimídia oferecidos pela empresa da Prefeitura do Rio de Janeiro com o objetivo de colaborar com a educação pública de qualidade na cidade. Ricon chamou a atenção, em especial, para a série Dando Ideia, que traz experiências de outros professores inspiradores da Rede Pública Municipal de Ensino do Rio de Janeiro.

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