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MCE Reportagens
24 Agosto 2020
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Já são mais de 70 os áudios produzidos e publicados por Tatiane Tereza no YouTube, no Facebook e no IGTV, plataforma de vídeos do Instagram. A professora de História da E.M. Affonso Penna (2ª CRE), em Vila Isabel, é uma das docentes que, desde o início da pandemia da Covid-19, vêm buscando alternativas para aproximar os alunos e levar conteúdos curriculares por meio do ensino remoto.

Professora do 8º e do 9º anos na Rede Pública Municipal de Ensino, Tatiane Tereza  também atua na Rede Estadual, no Ensino Médio. Suas produções atendem alunos dos dois segmentos. “Os conteúdos coincidem. O que os alunos viram do 6º ao 9º ano é abordado de forma mais aprofundada no Ensino Médio”, explica no vídeo de apresentação, no YouTube.

Podcasts de História

Professora de História da E.M. Affonso Penna (2ª CRE), Tatiane Tereza já publicou mais de 70 aulas em seu canal no YouTube (Imagem: Reprodução)

As produções, de no máximo 15 minutos cada, são compartilhadas periodicamente em seu canal, Tempo de História, e organizadas em playlists sobre cada tema (Iluminismo, Revolução Francesa, Socialismo etc.). “São áudios que tratam de acontecimentos históricos de forma simples. Nasceu de um desejo meu e do pedido dos alunos para que eu gravasse e disponibilizasse minhas aulas. Com o isolamento social, por conta da pandemia da Covid-19, eu tive tempo para sentar, organizar e pensar em como isso seria feito, em que formato, onde seria disponibilizado [...] para que os alunos continuassem a ter acesso a informações e a explicações neste momento em que não estamos em contato”, conta a professora, que é mestre em História pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e usa os livros adotados pelas escolas como bibliografia.

“Videoaulas são interessantes, mas podcasts permitem a quem está ouvindo ter a liberdade de usar a imaginação e construir, de certa forma, sua visão sobre aquele período histórico. [...] A segunda questão é a praticidade: é muito mais fácil de ser gravado, não precisa de megaproduções e a edição é mais tranquila”, diferencia.

Outra entusiasta do formato de áudio é a professora Márcia Elisa Rendeiro, do Centro de Educação de Jovens e Adultos – Ceja Acari (6ª CRE). Em sua participação no MultiRio LIVE, a docente destacou que podcasts permitem aprimorar a escuta, ouvir de forma subjetiva e, ainda, propiciam certa liberdade, pela ausência de imagens. Além disso, segundo Márcia Elisa, dispensam preocupação estética com cenários, com vestimentas e com a qualidade da imagem.

Em suas produções, a professora aborda conteúdos voltados, especialmente, para alunos do Peja 2, como, por exemplo, Rio de Janeiro no Início do Século XX, tema de um dos episódios compartilhados na plataforma de criação de podcasts Anchor. “O podcast tem a potência do rádio, uma ferramenta de comunicação imbatível, mesmo no século XXI”, comenta a professora, explicando, em tom de brincadeira, que usa o termo “rádio” porque “é analógica”.

Videoaulas: edições divertidas e interdisciplinaridade

Áudio e vídeo, Música e Geografia integram a proposta pedagógica do professor Iuri Nascimento, que leciona Educação Musical no Núcleo de Arte Sebastião Bernardes de Souza Prata – Grande Otelo, em Coelho Neto, e Geografia na E.M. Andréa Fontes Peixoto, no Parque Colúmbia, ambas unidades da 6ª CRE.

Em duas videoaulas compartilhadas no Facebook, voltadas para alunos de ambas as unidades, ele aposta na interdisciplinaridade por meio de vídeos curtos – de menos de três minutos cada – e dinâmicos. Em um dos vídeos, trabalha a canção Sobradinho, composta por Sá e Guarabyra, como forma de protesto contra a construção da barragem de mesmo nome, no interior da Bahia. “Para os alunos de Geografia, o que vai valer é contextualizar o que vamos cantar e ouvir na música com as recentes catástrofes que aconteceram em Brumadinho e em Mariana e, também, fazer uma relação entre o acontecido e o Movimento dos Atingidos por Barragens. Já para os alunos de Música, vamos tentar ter uma visão geral da harmonia simplificada na primeira região do braço”, propõe o professor no vídeo.

Edições divertidas marcam as aulas do professor Carlos Schettini, da E.M. Medalhista Olímpico Diego Matias Hypólito (Imagem: Reprodução/ YouTube)

Em outra aula, Iuri traça um paralelo entre o processo de globalização – conteúdo do 8º ano – e duas de suas guitarras, abordando temas como a substituição de importações.

Dinamismo e leveza também estão nos vídeos do professor de História Carlos Schettini, da E.M. Medalhista Olímpico Diego Matias Hypólito (9ª CRE), em Inhoaíba. Nas aulas sobre Mesopotâmia e Feudalismo – para alunos do 6º e do 7º anos, respectivamente –, o docente resume os conteúdos, aposta em dramatizações e edita as produções de forma a atrair a atenção dos alunos por meio do bom humor.

No canal Quinhoar: Ensino de História, Raquel Elison, professora de História da E.M. Deputado Hilton Gama (6ª CRE), na Pavuna, também destaca temas de História e estabelece reflexões sobre o passado e o presente em vídeos de 5 a 10 minutos de duração, fazendo o uso de diferentes planos de fundo virtuais na edição dos vídeos.

As videoaulas, produzidas a partir de comentários e pedidos dos próprios alunos e voltadas para o segundo segmento e para o Peja II, abordam temas como a diversidade cultural de povos africanos e de povos indígenas.

Tempo de Estudar: videoaulas de História para o 7º e o 8º ano

Produzida pela MultiRio, a série Tempo de Estudar aborda conteúdos de História do e do ano, em vídeos de aproximadamente 10 minutos, com linguagem descontraída e bem-humorada.

As videoaulas são comandadas pelos professores Fábio Carvalho e Diego Knack, docentes da disciplina na Rede Pública Municipal de Ensino do Rio.


O uso do PowerPoint e do Sway

A principal ferramenta usada nas videoaulas do professor de História André Máximo, da E.M. Coelho Neto, em Ricardo de Albuquerque (6ª CRE), é o Microsoft Power Point. Em seu canal no YouTube, ele compartilha aulas com duração de até dez minutos sobre temas como as independências do Haiti e da América Espanhola. O conteúdo é voltado para alunos do 7º ano.

Professor da mesma disciplina na E.M. Charles Anderson Weaver (6ª CRE), em Coelho Neto, Vinícius Gentil também aposta em um formato simples com publicações regulares. Em seu canal, ele já compartilhou mais de 20 videoaulas direcionadas a alunos do segundo segmento, nas quais fala sobre fake news, o mito da democracia racial, a Era Vargas e as Cruzadas, por exemplo.

Além das aulas publicadas no YouTube, Monique Soukup utiliza a plataforma Microsoft Sway para levar conhecimento aos alunos com dinamismo e interatividade. Professora de Geografia das escolas municipais General João Mendonça Lima, no Pechincha, e 25 de Abril, na Freguesia, ambas da 7ª CRE, ela usou a ferramenta para produzir aulas sobre migrações internas e externas na Europa e sobre espaço urbano e rural brasileiros. O conteúdo foi compartilhado no Facebook.

Com o Microsoft Sway, a docente pôde trabalhar com mapas, infográficos, ilustrações, vídeos e, ainda, propor uma atividade ao final do material, com perguntas a serem respondidas pelos alunos.

Curso gratuito Videoaulas sem complicação

Mais do que nunca, professores têm se empenhado e se reinventado para levar o conteúdo curricular aos alunos por meio do ensino remoto, devido ao isolamento social. Pensando nisso, a MultiRio, em parceria com a Rede de Tecnologia e Inovação do Rio de Janeiro (Redetec), oferece um curso gratuito para a preparação e produção de videoaulas.

Em Videoaulas sem Complicação: A experiência docente e o potencial das aulas remotas, os interessados aprendem a elaborar roteiros e a escolher os melhores cenários e condições de iluminação, além de receberem orientações sobre edição, uploads, divulgação, entre outros recursos. A proposta é oferecer subsídios para que o conteúdo chegue aos alunos de maneira atraente e eficiente.

O curso foi lançado em julho, atendendo, prioritariamente, docentes das universidades públicas do Estado do Rio. Uma nova turma, voltada exclusivamente para os professores da Rede Pública Municipal de Ensino, está com inscrições abertas até 1 de setembro, dia em que acontece a aula inaugural, com transmissão no canal da MultiRio no Youtube, às 16h. As inscrições devem ser feitas pelo Portal MultiRio e as vagas são limitadas.

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