Olá. Meu nome é Ana Cláudia. Sou professora II da rede municipal do Rio desde 1999 e lecionei quase todo esse tempo em turmas de Educação Infantil. Tenho também uma segunda matrícula de professora de Educação Infantil desde 2014.
Depois da minha primeira turma, alfabetizar, para mim, se transformou em paixão. Desde então, meu trabalho objetivou esse processo, mesmo em turmas de Educação Infantil, quando o foco era prepará-las, de forma lúdica, para o caminho do mundo letrado.
Minha formação acadêmica é em Psicologia, com pós-graduação lato sensu em Psicopedagogia. Como psicóloga, tenho formação em Gestalt Terapia e atuei durante alguns anos em consultório particular
Na rede particular, atuei pouco como professora e mais como coordenadora pedagógica. Hoje, as salas de aula são minha principal atividade. Atuo em uma turma de 3º ano e em outra de Educação Infantil.
Alfabetização para mim é ver olhos brilhando pela descoberta do poder de ler e escrever. É vibrar a cada nova palavra lida e escrita e ter a certeza de estar transformando vidas.
Com a pandemia, minha turma foi dividida em dois grupos. E fiquei com um número reduzido de alunos, o que me permitiu dar mais atenção individual a cada grupo e perceber suas dificuldades.
Eram dois grupos presentes e comprometidos, que cumpriam em casa as tarefas nas semanas em que não estavam na escola. Assim, o desenvolvimento e crescimento desses alunos se deu de forma fluida e um brilho de descoberta logo, logo despontou naqueles olhares.
A prática aconteceu durante todo o ano e a cada letra apresentada criávamos um vocabulário com palavras do repertório dos alunos. Esse vocabulário foi se ampliando pelo conhecimento prévio que cada grupo tinha de outras letras e palavras.
Eu desenhava objetos, animais e alimentos sempre familiares às crianças e relacionados ao contexto da aula, levando-as a descobrir o que estava sendo desenhado, levando-as a pensar e a interagir com a escrita, fosse soletrando, fosse silabando ou correlacionando fonema/grafema à compreensão e à interpretação na construção da aprendizagem. A partir daí, outras atividades foram surgindo para fixar o conhecimento.
As crianças começaram a se aventurar a escrever novas palavras com as letras que já conheciam. Como recurso, utilizei autoditado – tanto de palavras para desenhar como de desenhos para legendar –, cruzadinhas, caça-palavras e enigmas, entre outros. Com o passar do tempo, começamos a escrever frases seguindo o mesmo processo: desenhos de cenas para formar frases ou frases para desenhar cenas.
Havia muita atividade lúdica como bingo de letras, de sílabas, de palavras; competições de quem lia primeiro, de quem encontrava a palavra escondida na sala... A interação, participação e envolvimento dos alunos no seu processo de construção e desenvolvimento da aprendizagem auxiliaram a tomada de consciência desse processo vivo e significativo.
Seguimos construindo uma teia de significados: assistimos a filmes, criamos textos coletivos recontando os filmes e assim o dia a dia foi sendo bastante criativo e enriquecedor.
Fiquei bastante satisfeita com o trabalho realizado. Sabia que tinham atingido o objetivo esperado.