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Bairros Cariocas
20 Fevereiro 2017
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Desfile no sambódromo, 2016

As terras onde atualmente se encontra o bairro de Oswaldo Cruz, na Zona Norte do Rio, pertenciam à sesmaria (terreno que o rei de Portugal cedia aos povoadores) concedida a Antônio de França em 1568. No século seguinte, passaram a fazer parte da Freguesia (a menor das divisões administrativas nas colônias portuguesas) de Nossa Senhora da Apresentação de Irajá, criada em 1647. E, a partir daí, trocaram de dono muitas vezes, sempre por meio de concessões reais, e desmembrando-se em fazendas menores.

Na virada do século XVIII para o XIX, essa parte dos sertões fluminenses, mais distante da Baía da Guanabara, aos poucos foi deixando o passado dos engenhos de açúcar para dar origem ao que hoje é o subúrbio carioca. Em relação a Oswaldo Cruz, especificamente, as pessoas que migraram para lá eram de classes menos favorecidas, muitos deles ex-escravos, vindos de fazendas de café do Vale do Paraíba, do interior de Minas Gerais e de propriedades rurais de Santa Cruz, Guaratiba, Campo Grande e Itaguaí. Elas trouxeram consigo uma vida social caracterizada pelas festas religiosas, batucadas e pelo jongo. No início do século XX, o bota-abaixo promovido pelo prefeito Pereira Passos, também fez moradores do centro da cidade se mudarem para lá, levando consigo o samba.

Nessa mesma época, a chegada da linha férrea na região determinou seu modo de expansão ao longo dos trilhos dos trens, a partir das ruas Carolina Machado e João Vicente. A estação de Rio das Pedras, atual Oswaldo Cruz, foi inaugurada em 1898. O nome, que posteriormente batizaria todo o bairro, é uma homenagem ao médico sanitarista que erradicou a febre amarela na cidade. As ruas de casario simples e comércio modesto foram reconhecidas como logradouros em 1917.

O samba

Um personagem ilustre do bairro foi Paulo Benjamin de Oliveira, que se mudou do Estácio para lá em 1920. Foi morar em uma casa de vila, atual número 338 da Estrada do Portela – a principal via da região na época, aberta onde antes havia um engenho de açúcar, que deu origem ao nome Portela. Paulo tornou-se compositor tarimbado e foi o primeiro presidente da escola de samba, fundada em 11 de abril de 1923.

Paulo da Portela

Mas Paulo da Portela, como ficou conhecido, não foi o único responsável pela criação da campeã entre as escolas de samba cariocas. Longe disso. Havia no bairro um caldo de cultura que fomentou todo esse processo. Ele frequentava, por exemplo, as festas na casa de Dona Esther, em cujo enorme quintal se reuniam moradores do bairro e outros músicos bambas, como Donga, Pixinguinha e Candeia, além de pessoas das classes mais abastadas da cidade. Isso para falar em apenas três personagens ilustres desse meio efervescente, marcado por ranchos e blocos de carnaval.

A Portela é a mais antiga escola de samba em atividade permanente e a única que participou de todos os desfiles da cidade, sendo a que mais vezes ganhou campeonatos – 21. Sua fama é internacional: em 1941, Walt Disney visitou a quadra acompanhado de seu desenhista oficial e, por isso, dizem que o personagem Zé Carioca foi inspirado nos tipos de Oswaldo Cruz. Em 1959, a Portela se apresentou para a duquesa de Kent no Palácio do Itamaraty e recebeu a família real de Luxemburgo em sua antiga quadra.

Paulinho da Viola foi outro grande compositor que emprestou seu talento para a Escola. O samba-enredo de 1966 – Memórias de um Sargento de Milícias – é de sua autoria.

Outra tradição de Oswaldo Cruz é a feijoada da família portelense, acompanhada de shows de músicos e da bateria da escola. O evento acontece todos os finais de ano no Portelão, o barracão de ensaios para os desfiles, na Rua Clara Nunes, 91.

Conjuntos habitacionais

Os anos de 1970 se caracterizaram pela construção de conjuntos habitacionais, como o Oswaldo Cruz (conhecido como Cohab) e o Nelson Pereira dos Santos. Esse tipo de moradia era uma nova proposta estatal para as unidades populares.

O bairro conta atualmente com quatro escolas municipais – Mozart Lago, Waldemar Falcão, Maria das Dores Negrão e Raja Gabaglia; e dois colégios estaduais – Waldemiro Potsch e Professora Luiza Marinho.

Em comemoração ao aniversário da cidade, a prefeitura inaugurou, em março de 2015, a reforma de um casarão antigo de 1920, na Rua Carolina Machado, com dois andares, para servir de terceira sede administrativa municipal. O local foi batizado de Palácio Rio 450 e tem espaço para eventos e despachos do prefeito.

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