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É no Paço dos Governadores (chamado de Paço dos Vice-Reis desde que a capital mudou de Salvador para o Rio) que a família real se hospeda, ao chegar à cidade. Pintura guache do início do século XIX (Crédito: Frans Josef Frühbeck)

O Rio de Janeiro, sede do vice-reinado do Brasil, vivia momentos de expectativas diante da chegada iminente da família real e dos seus acompanhantes. Porém, seus administradores sabiam que não bastava melhorar o espaço urbano. Era preciso realizar importantes transformações para compor um cenário real condizente, pois, afinal, tão augustas figuras escolheram o Rio de Janeiro para estar, mesmo que impelidos pelos problemas da Europa.

Naquele momento não era fácil acomodar, além da família real, a corte e seus servidores, citados pelo professor Nireu Cavalcanti: “arrumadeiras, açafatas (ajudantes do quarto da rainha), damas, donas da câmara (responsáveis pela administração da residência real), porteiros, varredores, confessores, cozinheiros”. Então, o espaço urbano passou por reformas urgentes, pelas mãos do Conde dos Arcos (1771-1828). Aquele que seria o último vice-rei do Brasil preparou o Rio em um tempo bastante curto. As ruas foram limpas e melhoradas aqui e ali.

O antigo Paço dos Governadores – depois, dos Vice-Reis – foi reorganizado para receber os novos moradores, o que não era tarefa das mais fáceis. O Conde dos Arcos (Marcos de Noronha e Brito), dispondo dos recursos disponíveis (que nem eram tantos), mandou caiar o prédio e reformou o interior, chegando a forrar paredes com peças de seda de cores variadas.

Era preciso, também, pensar em tetos para o restante dos viajantes. Os proprietários de outros prédios foram intimados, por decreto, a deixá-los livres para que abrigassem fidalgos, negociantes, funcionários, militares e quem mais fizesse parte da corte lusa que se transferia para os trópicos. Na fachada, as letras pintadas P.R., que significavam Príncipe Real, eram traduzidas pela população, ironicamente, como “ponha-se na rua” ou “prédio roubado”.

Havia, também, a questão da alimentação para tantas pessoas. Os governadores das capitanias de São Paulo e de Minas Gerais enviaram mantimentos diversos, inclusive sabores tropicais que surpreenderiam o paladar daqueles recém-chegados. Festas precisavam ser organizadas! Uma agenda de comemorações, públicas ou não, cercadas por etiqueta real, ganharia, “abaixo do Equador, um colorido ainda mais especial”, segundo a antropóloga Lilia Moritz Schwarcz. Touradas, cavalhadas, músicas, foguetórios! Aproximava-se um tempo, sonhado por muitos súditos, em que aquilo que antes era apenas reverenciado em forma de retrato transformou-se em realidade. Para aqueles que pretendiam ser amigos do rei, brancos livres proprietários de escravos e de terras, a vida seria bem melhor no futuro: um novo começo de era.


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