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Jean-Baptiste Debret, integrante da Missão Artística Francesa. Litografia de 1834 (Crédito: Jean-Baptiste Debret e Thierry Frères/In: Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil)

Tradicionalmente, acredita-se que a queda de Napoleão Bonaparte (1769-1821), em 1814, facilitou o convite, por parte da corte lusa, para que a nomeada Missão Artística Francesa viesse para a cidade do Rio de Janeiro. Estudiosos vêm questionando a existência de uma Missão, no sentido lato da palavra, considerando-a uma lenda. Eles entendem que a vinda desses artistas europeus teria acontecido mais por iniciativa de Auguste-Marie Taunay e de Joachim Lebreton (que haviam prestado serviços ao Estado napoleônico deposto) do que por uma ação efetiva da Coroa. Diante da nova cena política na França, Taunay e Lebreton acreditavam que um autoexílio era adequado naquele momento.

A versão oficial considera ter existido um convite com a finalidade de que a presença e a atuação dos artistas valorizassem, engrandecendo, a presença da corte portuguesa nos trópicos. Entretanto, documentos da época, datados dos derradeiros meses de 1815 e citados pela antropóloga Lilia Moritz Schwarcz, sinalizam que as autoridades portuguesas não “tinham nenhuma ideia da assim chamada Missão” e nem os “políticos brasileiros (...) possuíam instrução ou ordem da corte que pudesse atender às demandas dos franceses ou ajudar no financiamento de tal viagem”.

A conjugação de aspectos como a situação dos artistas desempregados (ou quase) e desejosos de emigrar (preocupados com represálias após a queda de Napoleão Bonaparte, a quem tinham servido), uma moda (ou influência) francesa nas artes, a monarquia portuguesa “estacionada nos trópicos” e o papel do Brasil no imaginário francês acabaram “juntando a fome com a vontade de comer”, observou Lilia. A Coroa só daria o seu apoio após o fato consumado, com a chegada definitiva dos franceses. A partir daí, sim, “pagaria pela estada dos artistas em território americano”, conclui a antropóloga.

De toda forma, havia, segundo o pensamento do príncipe regente D. João (1767-1826), uma intenção de suprir a colônia americana “carente de boa arte”. Liderados por Joachim Lebreton, no dia 26 de março de 1816, em meio aos sentimentos pelo falecimento da rainha D. Maria I (1734-1816), o grupo de artistas franceses desembarcou no Porto do Rio de Janeiro. Entre eles, estavam os pintores Jean-Baptiste Debret e Nicolas-Antoine Taunay, que deixariam inúmeros desenhos e aquarelas retratando paisagens, costumes da época e o dia a dia da população; os escultores Auguste-Marie Taunay, Marc e Zéphryn Ferrez; e o arquiteto Grandjean de Montigny, autor de projetos de edificações urbanas que, sobrevivendo ao tempo, hoje podem ser admiradas pelas ruas da cidade.

Passeando pelo centro do Rio de Janeiro ou pelos bairros de Botafogo e do Flamengo, entre outros, percebe-se o cenário carioca pontilhado pela influência francesa. Inúmeras edificações guardam ainda em sua fachada a memória dessa época.

Foi esse grupo de artistas que organizou, a partir da medida assinada em 12 de agosto de 1816, pelo regente, a Escola Real das Ciências, Artes e Ofícios, transformada, em 1826, na Imperial Academia e Escola de Belas-Artes. D. João acreditava que essas expedições de estrangeiros ampliavam as informações sobre certas áreas da colônia, pouco conhecidas, assim como novas e possíveis formas de aproveitamento e de ocupação do interior. Era como se acontecesse um redescobrimento do Brasil, com suas possibilidades naturais e o que mais viesse. 


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