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Em 1957, o Congresso Nacional agendou a data de inauguração de Brasília. Especulações sobre a criação do estado da Guanabara reverberaram, de imediato, na imprensa. Como seria? A Câmara de Vereadores viraria Assembleia Legislativa? A cidade seria fracionada em municípios? (Crédito: Correio da Manhã/Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro)

O presidente Fernando Henrique Cardoso, em entrevista concedida ao Jornal do Brasil no dia 7 de outubro de 1994, sinalizou sua preocupação com o Rio de Janeiro, observando a condição particular da cidade como símbolo do país. Analisando a crise que atingia desde os anos 1980 a antiga capital da República, o governante disse que o Brasil não podia ir bem se o Rio ia mal.

Tal declaração demonstra que, de alguma forma, permanecia viva a memória particular da capitalidade da cidade – capitalidade representando a unidade e a síntese da nação, e que, ainda hoje, permanece como elemento fundamental da identidade política do Rio de Janeiro.

O ano de 1958, segundo a historiadora Marly da Silva Motta, colocou o Rio de Janeiro diante do “desafio de deixar de ser não só a capital do país, mas, principalmente, a sua vitrine, a caixa de ressonância dos problemas nacionais”. A transferência da capital, citada na Constituição de 1891 e transformada em realidade durante o governo do presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira (1902-1976), obrigou a cidade a encontrar um novo lugar na federação.

As discussões, muitas vezes traduzidas em rusgas pessoais, se espalharam pelos meios políticos e pela imprensa, tendo como foco uma definição para o futuro político da cidade que deixou de ser Distrito Federal. Inúmeras propostas e debates, refletindo os interesses mais imediatos do contexto político, oscilavam entre transformá-la em território federal ou cidade livre, fundir-se com o estado do Rio de Janeiro ou tornar-se o estado da Guanabara. O jornal de oposição ao governo federal, Tribuna da Imprensa, referia-se à transferência para Brasília como um “negócio apressado”. Em uma de suas edições, a do dia 1º de novembro de 1956, questionava o que aconteceria no futuro, “se todos os caminhos vão para o Rio?”.

Além dos debates políticos e das disputas eleitorais, a cidade vivia a dinâmica do seu dia a dia. O atual Aterro do Flamengo recebia, ainda em caráter preliminar, toneladas de terras oriundas do desmonte gradual do Morro de Santo Antônio. O tempo passava entre o dormir e o despertar da população. Diante das possibilidades de lugares e de meios, aqueles que vinham rumo à modernização que acontecia na Zona Sul, ao trafegarem pela Avenida Oswaldo Cruz, se deparavam, além da conhecida beleza natural da região, com a visão da primeira experiência em neon. Olhares deslizavam focados em uma propaganda que iluminava, parcialmente, a Enseada de Botafogo, tendo ao fundo o contorno milenar do Pão de Açúcar – uma garrafa de água mineral que, aos poucos, acendia, despejando seu líquido em um copo que se completava em azul. Águas borbulhantes em um anúncio que não mais existe.

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Desde a inauguração do teleférico, em 1912, o Pão de Açúcar se transformou em um dos mais iconográficos cartões-postais da nação. Manutenção do bondinho na década de 1940 (Crédito: André Khoene/Wikimedia Commons)

Memórias: o passado se aproximando do presente pelos contornos das águas da Baía de Guanabara, num jogo possível da imaginação. Afinal, no pensar e no sentir do compositor André Abujamra, na canção Imaginação, quantas vezes “o mundo de dentro da gente é maior que o mundo de fora da gente?”.


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